
No período de pouco mais de um mês, Curitiba recebeu três exposições de grande porte: uma retrospectiva sobre Anita Malfatti (1889-1964), o acervo histórico da Brasiliana Itaú (ambas em cartaz no Museu Oscar Niemeyer) e Titanic Objetos Reais, Histórias Reais, trazida pela empresa de entretenimento Time for Fun (no Park Cultural, do ParkShopping Barigüi).
Todas as mostras, que reúnem acervos milionários, indicam que a capital paranaense continua em um bom circuito de artes visuais. Porém, a cidade foi privada de ao menos duas exposições que poderiam perfeitamente ser recebidas por algum museu local: O Mundo Mágico de Escher e Modigliani: Imagens de uma Vida, parte das comemorações do ano da Itália no Brasil.
As 95 obras do artista holandês Maurits Cornelis Escher (1898 - 1972), que fazem parte de um raro acervo de mais de 400 peças do Den Haag Gemeente-museum (que mantém o museu homônimo do artista na cidade de Haia), passaram este ano por Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, trazidas pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
Segundo a diretora do MON, Estela Sandrini, houve uma incompatibilidade de agenda para trazer Escher ao espaço, mas o museu pretende programá-la para 2013. "Estivemos em São Paulo conversando, mas essa exposição tem um tempo limite no Brasil. Por isso, ela volta para o acervo e depois será retomada com algumas modificações".
Para receber quadros de Amadeo Modigliani (1884-1920), sendo 12 deles pinturas a óleo originais, todos oriundos do instituto do artista, em Roma, a cidade também terá de esperar. Há negociações para que a mostra, que estreou em outubro em Vitória (ES) e passará por Rio de Janeiro e São Paulo em 2012, também desembarque por aqui. "Estamos tentando fazer com que o Modigliani possa vir. Vou receber no fim do mês um captador de recursos, pois o problema é financeiro", diz o cônsul-geral da Itália em Curitiba, Salvatore Di Venezia. Só em seguro, por exemplo, são necessários mais de R$ 600 mil.
Dinheiro é hoje, aliás, a principal lacuna para viabilizar grandes mostras. "Precisamos que os empresários sejam sensíveis", ressalta Estela. Outra dificuldade apontada pelo diretor- executivo da Unideias, empresa de captação de recursos responsável pela mostra de Modigliani, José de Lorenzo Messina, é a competição com a música. "Tenho de convencer o patrocinador que os clientes dele ficarão mais satisfeitos de ver Modigliani do que um show do Andrea Bocelli." O curador-geral da 6.ª VentoSul Bienal de Curitiba (em cartaz na cidade até o dia 20), Alfons Hug, acredita que o custo é um empecilho, mas que o país passa por um bom momento. "O Brasil tem boas condições de financiar grandes mostras internacionais com as leis de incentivo fiscal."
O curador da mostra O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues que esteve na Caixa Cultural de Curitiba entre agosto e outubro , Antônio Cava, sugere que o MON possa acolher exposições do Museu da Língua Portuguesa, de São Paulo, por exemplo. "A mostra sobre Clarice Lispector, feita pelo CCBB no ano passado, é belíssima e poderia ter chegado a Curitiba. Essa pode ser uma tentativa para os produtores locais, já que não são exposições tão caras."
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