
Quando foi lançado, em 1976, Carrie, a Estranha, adaptação para o cinema do romance homônimo de Stephen King, poderia ter se tornado mais um filme de terror, entre tantos que Hollywood produz todos os anos. Acontece que, nas mãos do inventivo cineasta Brian De Palma (de Scarface), a história da adolescente (Sissy Spacek, indicada ao Oscar por seu impressionante desempenho) com poderes paranormais ganhou outras dimensões e se tornou uma referência no gênero. Um clássico, enfim.
É talvez por conta da força do original que o remake Carrie, a Estranha, em cartaz a partir de hoje nos cinemas brasileiros, pareça tão desnecessário. Kimberly Peirce, do ótimo Meninos Não Choram, faz o que pode para dar um paladar século 21 à história de Carrie, mas o filme nunca ganha vida própria.
A protagonista, agora vivida pela talentosa Chloë Grace Moretz (de A Invenção de Hugo Cabret), é a mesma menina tímida, antissocial, criada por uma mãe fanática religiosa (Julianne Moore, de As Horas) que deseja a todo custo protegê-la do mundo, onde está fadada a cair em pecado.
Por seu comportamento esquivo e suas roupas feitas em casa, que lhe cobrem todo o corpo, Carrie é vítima constante bullying termo que no Brasil dos anos 70 não fazia parte do vocabulário corrente.
Nesta nova versão, se repete a sequência em que, no banheiro do vestiário da escola, Carrie entra em pânico ao ficar menstruada pela primeira vez, sem saber o que está acontecendo, e é alvo do escárnio de suas colegas de turma. Só que, no remake, o martírio de Carrie é gravado em vídeo e compartilhado pelas redes sociais. Seu sofrimento é amplificado, mas não é, necessariamente, mais impactante: o filme deixa muito a desejar em relação à versão dirigida por De Palma.
Basta comparar a também muitas vezes citada (e copiada) sequência do baile de formatura, na qual Carrie, coroada a rainha da escola, leva um banho de sangue de porco e coloca seus poderes a serviço de seu desejo de se vingar.
Embora os novos efeitos especiais sejam de última geração, e as cenas até impressionem, o terror não se dá. O excesso de reverência ao original é uma explicação possível, mas talvez o grande calcanhar de aquiles do remake seja o fato de, ao contrário do original, que é um drama assustador, este ser excessivamente focado no público jovem. GG







