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Música

Uma década de ruído

Banda curitibana que desafia ouvidos acomodados, ruído/mm completa dez anos de estrada com uma série de shows que revive seus três discos

  • Cristiano Castilho
ruído/mm: há dez anos mesclando silêncio e barulho, afago e porrada, introspecção e loucura |
ruído/mm: há dez anos mesclando silêncio e barulho, afago e porrada, introspecção e loucura
 
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Uma década de ruído

Antes dos shows do ruído/mm, é comum que os desavisados se surpreendam com a quantidade de pedais e com a qualidade dos instrumentos que a banda utiliza. Durante as apresentações, gritos tribais e movimentos descontrolados do corpo podem surgir também, sem avisar, tanto por parte do grupo quanto do público. E, depois de tudo, o sinal de que a apresentação do quinteto curitibano foi algo entre uma viagem espacial e uma catarse terrena, pode ser verificado na réstia de barulho que persiste e teima em vencer o silêncio. “Acabamos de ensaiar e o ouvido está zzxxxxxZZxVtrrrrbbbzzzzzzzzzzzzzzxxxssss”, disse André Ramiro, guitarrista do grupo que está comemorando dez anos de estrada com uma trinca de shows “temáticos” em Curitiba. O próximo será neste sábado, no 92 Graus, e irá contemplar o repertório do disco série cinza, o primeiro do grupo, lançado em 2004.

Não seria exagero dizer que o som do ruído/mm é muito curitibano, já que mescla silêncio e barulho, afago e porrada, introspecção e loucura. São características do subgênero post-rock, que acompanha a banda desde sempre, e que surgiu meio sem querer. “Os primeiros shows eram desorganizados e barulhentos, mas tinham toda uma energia envolvida, muito verdadeira. Eles faziam experimentalismo sem querer. Há quem diga que faziam post-­rock sem que tivessem ouvido uma banda de post-rock até então”, conta Ramiro, que entrou para o ruído em 2004, depois de acompanhar alguns shows da banda e “ficar fã dos caras”, que na época eram John XXIII, Pill, Felipe Luiz e Dudu.

Exterminador do Futuro

No início da década passada, havia um palco no Shopping Estação, quase em frente à praça de alimentação. Foi ali, depois da pré-estreia do filme Exterminador do Futuro 3, que a banda se apresentou pela primeira vez. Para susto de muita gente. “Alguns pararam pra ver, mas acho que a maioria do povo saiu correndo”, atesta o guitarrista Pill, único membro-fundador ainda em atividade no ruído. Na mesma noite, um jornalista disse à banda que o som era parecido com o que fazem os nova-iorquinos do Helmet – cuja sonoridade pode ser definida como post-hardcore. Alguns dias depois, o grupo tocou no antigo Bar do Salim, junto com a extinta Lonely Nerds’ Songbox. E tudo começou pra valer, apesar de a sonoridade do ruído exigir um punhado de dedicação e atenção.

“Somos como trilhas sonoras, basta se deixar levar”, compara Ramiro. “Desde o começo, nos saudavam por inventar tudo aquilo na hora. Quando explicávamos que não tinha nada de improviso e aquilo tudo era ensaiado, aí sim confirmavam que éramos todos loucos mesmo”, conta Pill.

Depois de dez anos de palco e principalmente após o lançamento de introdução à cortina do sótão (2011), cujo show ocorreu no último dia 1,°, da aproximação com o selo Sinewave, e da gravação da Popload Session em 2012 (recriaram de forma magistral a música “Índios”, da Legião Urbana), o ruído/mm se tornou reconhecido e respeitado. É com esse repertório que André Ramiro não titubeia ao comentar sobre a cena curitibana. “Nada mudou. Temos várias bandas boas e promissoras, alguns bares que ajudam e outros que atrapalham, algumas pessoas que gostam das bandas de verdade e outras que só fazem tipo. A cidade ainda tem jeito de interior e nós estamos mais velhos.”

Para Pill, os blogueiros independentes, o público – “curioso, aberto, atento” –, os pequenos produtores de festivais, shows, programas de rádio, desenhistas, roteiristas e “sonhadores de plantão” dão uma mãozinha e motivam as bandas a seguir em frente.

Mas, se olhar para o passado é ter a certeza de que pouca coisa mudou, para o futuro a banda já tem uma previsão do que pretende fazer, levando-se em conta suas composições complexas e a vida, que pode ir do barulho ao silêncio em uma pisada de pedal. “Não ir para um hospício”, brinca Ramiro.

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