
O título da mostra de nove filmes com o ator José Dumont, em cartaz em Curitiba até o próximo domingo (7), além de apropriado, também é uma síntese da trajetória do homenageado: O Homem que Virou Cinema. Dumont, 58 anos, deixou a sua Belém do Caiçara, no interior da Paraíba, na década de 1970 em busca de uma vida melhor no sudeste brasileiro.
A meta era ingressar na Marinha Mercante, mas algum obstáculo trancou os caminhos rumo a Santos. Meio por acaso, meio estava escrito nas estrelas, e ele permaneceu na capital paulista. Perto da pensão, havia um teatro. E isso foi determinante para o seu futuro.
É a respeito de seu próprio percurso, amalgamado que é com o desenrolar recente do cinema nacional, que Dumont deve falar nesta sexta-feira (5) na Cinemateca de Curitiba (onde estão em exibição filmes estrelados por ele), dentro do projeto Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante, que festeja o bicentenário do banco público.
"Minha vida de ator se encontra com a do cinema brasileiro pelo menos em três fases", disse Dumont em entrevista à Gazeta do Povo. Ele debutou na telona em meio aos tempos da Embrafilme (décadas de 1970 e 1980), atravessou o purgatório e tentativas de extermínio do cinema brasileiro durante os anos Collor, e vem emplacando papéis nesse chamado renascimento da sétima arte tupiniquim, para ele, ocorrido com o lançamento de Central do Brasil, de Walter Salles.
Com 44 filmes e 26 prêmios no currículo, Dumont contabiliza ainda 70 trabalhos na televisão. "O cinema nutre a alma, mas o que paga as contas é a televisão." Atualmente, participa de Os Mutantes, na Rede Record. Sua mais recente experiência cinematográfica foi em 2 Filhos de Francisco, em 2005.
De origem humilde, aprendeu a ler sozinho, sobreviveu trabalhando em fábricas (até nos Correios), e começou a trilhar, e a consolidar, as veredas de ator a partir de um convite de João Batista de Andrade, que o escolheu para protagonizar O Homem que Virou Suco (foto), de 1979, um dos títulos exibidos na mostra.



