S.O.S financeiro

É preciso sempre pensar no futuro e numa maneira de deixar quem amamos protegidos financeiramente. (Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)
É preciso sempre pensar no futuro e numa maneira de deixar quem amamos protegidos financeiramente. (Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

Emergência, emergência, emergência.

Sem tempo para nada, sem contato, sem ajuda, sem dinheiro, sem saída.

Dias de caos, de pânico, de falta de perspectiva ou de condições para colocar a vida no eixo.

Ao longo dessa última semana, a tragédia de Brumadinho vem repercutindo dentro da casa de todos os brasileiros e despertando o mais profundo sentimento de compaixão e desolação. Como é que pode, de um dia para o outro, tudo ruir, todos os projetos virarem pó?

Dispensável dizer que o principal prejuízo dessa catástrofe são as vítimas, seus familiares e amigos, que precisam enfrentar, sem aviso prévio, o luto.

Sem aviso prévio. É justamente nesse ponto que nos apegamos em situações catastróficas como a mineira: a falta de controle sobre a vida.

Ninguém escolhe a hora de morrer, já sabemos, mas será que podemos ao menos tentar amenizar um pouco a dor financeira de um imprevisto?

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Em uma tragédia como a de Brumadinho, pelo menos 99 pessoas (até o momento da elaboração desta coluna) não tiveram a chance de sobreviver para pensar em como lidariam com situações extremas.

Mas se você pudesse analisar sua vida hoje, o que faria para tentar aliviar o martírio financeiro causado por um imprevisto?

Claro que não estamos falando de situações limites como a de um deslizamento de barragem, mas de imprevistos menores que fazem parte da vida de milhares de pessoas diariamente e que podem afetar substancialmente seu bolso.

Machucar-se no trabalho, ficar afastado por estresse, ser demitido, pedir demissão para cuidar repentinamente de um parente. Quantas histórias difíceis não presenciamos no dia a dia, sem ter o que fazer para ajudar?

É complicado falar de dinheiro quando é evidente que este é o menor dos problemas em momentos em que a vida está em jogo. Porém quantos são os casos em que é justamente o problema financeiro o mais grave de uma família?

Controle de danos

Não há como controlar 100% o rumo de nossas vidas, mas é possível fazer um esforço para que os prejuízos materiais sejam os menores possíveis.

Para isso, proponho a você refletir sobre três alternativas.

A primeira delas é ter SEMPRE uma folga financeira. Não existe saída milagrosa, nem super-heróis para nos salvar quando o barco está afundando. Não dá para contar com a solidariedade alheia ou com compreensão. É imprescindível ter dinheiro na mão, acessível, para saque a qualquer hora.

Fundo DI, Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária que pague 100% do CDI. Escolha sua opção e forme uma reserva suficiente para ao menos seis meses dos seus gastos médios mensais.

O segundo ponto é uma alternativa para proteger a parte do seu dinheiro investido em renda variável e que, portanto, oscila.

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Mesmo que os últimos anos tenham sido generosos com a Bolsa, não se iluda: não há garantia de rendimento quando você coloca seu dinheiro em risco. Por isso, prepare-se sempre para o pior, a fim de amenizar as perdas.

Um fundo cambial ou de ouro pode dar conta do recado. Lembre-se de que a ideia não é lucrar com o investimento nesses fundos, mas estar sempre preparado para dias piores.

Por fim, a última sugestão é voltada para aqueles com dependentes. Falo por experiência própria, filha de um pai que partiu cedo e que teve o cuidado de se preparar para o completo imprevisto.

Seguros de vida ainda são pouco difundidos no Brasil, embora possam ter um papel fundamental na vida dos que ficam. Pode ser temporário, voltado para a educação dos filhos, resgatável ou de qualquer outro tipo. O importante é existir e dar conta do recado, isto é, compreender um patrimônio suficiente para a autonomia dos herdeiros.

Viver não é tarefa simples, mas sobreviver é uma benção. Por isso, torço para que todos possamos dar maior valor à vida no presente. Simplificando sempre.

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