Novos tratamentos para enxaqueca podem mudar a vida de quem sofre com dores
Da toxina botulínica aos “anticorpos monoclonais” pessoas que sofrem desse tipo de cefaleia podem ter as crises controladas e sem comprometer suas atividades normais
(Foto: Divulgação)
Dr Gustavo Franklin - Dr. Gustavo Franklin é médico Neurologista, e atende em Curitiba, Paraná. Atua nas áreas de Parkinson, Alzheimer, Dores de cabeça, Déficit de Atenção, dentre muitas outras. Participa todo ano de palestras, congressos e projetos de pesquisa em várias áreas da neurologia
Um novo
medicamento e o primeiro desenvolvido especificamente para o tratamento de
enxaqueca foi liberado recentemente pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária). A notícia é extremamente positiva, já que, de acordo com a
Organização Mundial da Saúde, a enxaqueca é considerada uma das doenças mais
incapacitantes do mundo e acomete atualmente cerca de 15% da população mundial.
O médico neurologista Gustavo Franklin afirma que o momento atual é promissor para pacientes que sofrem dessa doença. “Com certeza estamos presenciando um momento único no tratamento de enxaqueca”, diz.
O novo
medicamento, já autorizado pela Anvisa, chama-se Erenumab, do laboratório
Novartis. “Esse medicamento é da classe dos anticorpos monoclonais. Eles agem
combatendo diretamente as substâncias que causam a enxaqueca, chamadas CGRP.
Assim, atuam na origem da dor”, explica o especialista. Segundo ele, além
desse, outras medicações com mecanismos de ação semelhantes também estão para
chegar em 2020.
Outras alternativas
Os novos
medicamentos são promissores, mas podem ainda não ser os mais acessíveis. Já
existem, no entanto, outras alternativas para tratar a enxaqueca, que são
capazes de reduzir a incapacidade gerada pela dor de forma significativa. “Além
de medicamentos de baixo custo e de uso via oral, que ajudam a controlar a
cefaleia, a toxina botulínica é um dos tratamentos mais recomendados
atualmente”, comenta Franklin.
“A toxina
botulínica, cuja marca mais popular é o Botox®, é uma substância que age
inibindo a liberação de neurotransmissores envolvidos na dor, o que diminui ou
interrompe completamente as dores”. O especialista explica que esse tratamento pode ser realizado
em qualquer paciente que sofra de enxaqueca, independente de já ter tentado
outras alternativas. “A eficácia, como qualquer tratamento, pode ser variável e
a dose pode ser ajustada para obter o efeito desejado”, afirma.
O interessante
da toxina botulínica talvez seja a comodidade do tratamento, uma vez que o
efeito tende a durar vários meses. “A toxina botulínica começa a fazer efeito
entre 5 e 15 dias após a aplicação e tem duração média de 3 a 4 meses. Por
isso, deve ser reaplicada após esse período, a partir de uma reavaliação da sua
eficácia e ajuste da dose se necessário”.
Independentemente da forma de tratamento, é importante ter em mente que hoje há várias alternativas de tratamento, assim um neurologista deve ser avaliado o mais rapidamente possível para que os procedimentos sejam bem planejado.