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Personalidades

12 nomes para contar o começo da História do Brasil

Livro mostra o lado mais humano do Brasil Colônia: conta a história do país a partir de 12 personalidades, algumas conhecidas, outras nunca estudadas em sala de aula

  • Polianna Milan - historia@gazetadopovo.com.br
 
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Sabe-se que fizeram parte da história colonial do Brasil os portugueses, senhores de engenho, jesuítas, índios, escravos e o inquisidor. Mas pouco se fala sobre quem foram estas pessoas individualmente, quais eram seus nomes e suas contribuições, sejam boas ou ruins, para o país. Diante de nomes co­­­mo Fernão Cabral Taíde, Felipe dos Santos, Branca Dias e Marquês do Lavradio resta apenas um ponto de interrogação para a maioria dos brasileiros. Toda pessoa escolarizada é capaz de explicar o que fazia um senhor de engenho, por exemplo, mas dificilmente conseguiria dizer que um deles se chamava Fernão e foi considerado – pelos historiadores – como um dos senhores mais cruéis do período colonial. Ele se relacionou com uma índia escravizada que engravidou e ameaçou contar à esposa de Fernão sobre os casos que ele tinha com as escravas. Isso fez com que ela fosse arrastada pelos cabelos, aos gritos, até a fornalha do engenho e atirada viva no fogo. O ato está documentado e, dizem, foi possível ver o feto se decompondo com as chamas. “Fernão Taíde mandou matar o próprio filho, o que causou escândalos na Bahia. Ele teve de pedir perdão, diante do público, pela violência cometida”, explicam os historiadores Marcus Vinícius de Morais e Fábio Pestana Ramos, autores do livro Eles formaram o Brasil, lançado neste ano.

Conhecer a história de Fernão Cabral Taíde é diretamente saber que muitos destes senhores passaram a ser coronéis: eram políticos e ao mesmo tempo exploradores de mão de obra barata. “Esco­lhemos 12 personalidades para contar a História do Brasil de uma maneira diferente. Muitas delas são apenas notas de rodapé nos livros didáticos. Mas, da maneira como foram apresentadas no livro, humanizam a história do país”, afirma Ra­­­mos. “Cada uma se tornou símbolo de um período. Selecio­­namos alguém perseguido pela Inquisição, um jesuíta, um português, uma índia”, conta Morais. O levantamento histórico das 12 pessoas foi feito a partir dos documentos que existem em Portugal e no Brasil. Confira abaixo um resumo da história de cada um deles:

Caramuru

Português que chegou ao Brasil com 17 anos e a missão de tentar se tornar um intérprete entre os índios e os portugueses. Degredado de seu país, ao chegar aqui foi capturado por uma tribo indígena. Graças ao uso de seu mosquete, porém, ele foi considerado pelos índios um homem dos deuses. Por causa disso, conquistou as tribos vizinhas e morreu aos 83 anos, de causas naturais. Ele é um exemplo de como eram os portugueses que chegavam ao Brasil e decidiam permanecer por aqui.

Fernão Cabral Taíde

Foi considerado um dos homens mais cruéis do período colonial. É um exemplo de como viviam e se portavam os senhores de engenho. Além disso, ele protegeu um violento movimento religioso indígena em suas terras, a Santidade Jaguaripe, com a intenção de aproveitar os próprios integrantes como mão de obra para os engenhos. O movimento atacava fazendas, incendiava engenhos e agredia padres em suas missões evangelizadoras, o que, na época, gerou temor na população da Bahia.

Gregório de Matos

Sua maior contribuição é a poesia. Para os historiadores, porém, Gregório foi escolhido porque representa o que era viver no centro urbano do Brasil (Salvador) no século 17. Casou-se com uma mulata. Ficou conhecido como “boca do inferno” por criticar a sociedade colonial da época: as pessoas valorizavam a cultura europeia em detrimento da indígena.

Isabel Dias

A índia é conhecida como Bartira – nome que recebeu depois do casamento com João Ramalho. Simboliza a miscigenação entre índios e portugueses. Ela daria origem, com sua prole numerosa, ao que constituiria futuramente a elite paulistana, as famílias do café. O nome Isabel foi dado a ela pelo jesuíta Manuel da Nóbrega, durante seu batismo. Ela pertencia à tribo dos guaianases, que tinha fama de ter terríveis guerreiros que preparavam as vítimas para um banquete antropofágico.

Manuel da Nóbrega

O padre se tornou uma das figuras mais conhecidas na história colonial brasileira. Chegou ao Brasil quando Caramuru estava com 74 anos, ou seja, é de um outro período colonial. Ele é um exemplo de como a fé foi usada como instrumento para a colonização. O missionário jesuíta atrapalhou as tentativas de escravidão dos indígenas e consolidou a presença lusitana definitivamente no país.

Raposo Tavares

Estudando sua vida é possível entender melhor as expedições para o interior do Brasil que receberam o nome de bandeiras. Vendo seus hábitos de vida, acaba-se com a ideia mistificada de que os bandeirantes usavam bom armamento e boas roupas. Na verdade, eram sujos, andavam com os pés descalços e com roupas rasgadas e tinham o arco e flecha como armamento. Comiam cavalos, gafanhotos e formigas.

Felipe dos Santos

São escassos os registros históricos a seu respeito. Ele foi tropeiro, contrabandista, minerador e participou da Revolta de 1720 – vista como precursora da Inconfidência Mineira (1789). Felipe acabou enforcado em praça pública, mas algumas versões dizem que ele foi esquartejado por quatro cavalos. Seus bens foram confiscados e seus registros apagados como verdadeiro exemplo para aqueles que desafiassem as autoridades metropolitanas.

Manuel Beckman

Junto com seu irmão Tomás, este alemão liderou uma revolta contra a corrupção que acontecia no Maranhão no século 17. Como o rei pensou, equivocadamente, que ele queria tornar o estado independente, Beckman foi executado e seus bens leiloados. O novo governador do Maranhão, sabendo das boas intenções de Beckman, arrematou os bens e os devolveu à família. Foi uma forma de o governador demonstrar que concordava com os revoltosos.

Branca Dias

Foi julgada após a morte: recebeu a condenação por praticar o judaísmo depois de convertida (obrigatoriamente) ao catolicismo. Aconteceu em Pernambuco: os inquisidores ouviram testemunhas e a denunciaram. “É fácil denunciar alguém depois de morto. Não existe confissão e nem defesa. O problema é que as gerações seguintes a ela também foram condenadas automaticamente, por isso a filha dela teve de fazer a abjuração”, diz Morais. A biografia de Branca serve para entender a presença dos judeus no Brasil.

Chica da Silva

Escrava liberta que, curiosamente, depois de livre, adquiriu escravos para pleitear a ascensão social. A sua história fornece um bom panorama da complexidade da região de Minas Gerais durante o período de mineração. Seu casamento com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira nunca foi legalizado porque a legislação da época não o permitia. Ela teve 13 filhos.

Marquês do Lavradio

Graças a ele, o Rio de Janeiro recebeu as primeiras reformas urbanas ainda no período colonial. Lavradio foi o último vice-rei antes da vinda da família real. “É ele que coloca em prática todas as medidas solicitadas pelo Marquês de Pombal”, diz Morais. Ele deslocou o pelourinho para uma área mais isolada e levou os cemitérios para longe das igrejas porque estava preocupado com a higienização. O marquês simboliza o fim do período colonial.

Maurício de Nassau

Chegou ao Brasil com 31 anos, veio acompanhado de 2 mil holandeses e foi sustentado pela corte holandesa na colônia brasileira em Pernambuco: chegava a gastar 45 quilos de carne por dia para alimentar até mesmo seus animais exóticos. Promovia lutas entre índios como se fossem gladiadores. O conde foi escolhido para discutir a União Ibérica, entre Portugal e Espanha, e comandar o domínio holandês sobre Pernambuco.

Serviço:

Eles formaram o Brasil. Texto de Marcus Vinícius de Morais e Fábio Pestana Ramos. Editora Contexto. R$ 43.

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