| Divulgação/ Arquivo Nacional
| Foto: Divulgação/ Arquivo Nacional

Nove rolos de pergaminho da Torá, que um dia pertenceram ao imperador Dom Pedro II, se salvaram do incêndio que destruiu o Museu Nacional neste domingo. 

Os manuscritos do livro sagrado do judaísmo, escritos em hebraico bíblico, faziam parte do acervo do Museu Nacional, mas tinham sido transferidos antes do incêndio para a seção de Obras Raras da Biblioteca do Horto, localizada próximo ao museu, na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro. 

Conhecidos como Pergaminhos Ivriim, os manuscritos datam de 400 a 1.000 anos atrás e foram adquiridos por Dom Pedro II no século 19. Os documentos foram tombados pelo Iphan em 1998, devido à sua importância arqueológica e bibliográfica. O cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro, Osias Wurman, disse à emissora alemã Deutsche Welle que os pergaminhos estão entre os dez documentos mais antigos do judaísmo. O material estava sendo restaurado, e por isso foi salvo da tragédia. 

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“Essa Torá é muito importante, e a sua preservação foi uma ótima notícia no meio de tantas perdas”, disse Wurman à Deutsche Welle. O cônsul contou que vários jornais israelenses entraram em contato com a comunidade judaica no Rio para saber se os pergaminhos tinham se perdido no incêndio. 

“Nós lamentamos profundamente a perda desse tesouro colossal na história do Brasil”, disse o cônsul em entrevista para a agência de notícias Jewish Telegraphic Agency. “A única compensação foi saber que a Torá de Dom Pedro II está salva, já que estava em outro prédio do museu. Essa Torá é evidência da admiração que o monarca português tinha pelo povo judeu e suas tradições. Isso era tão raro na Europa”, afirmou.

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Pesquisas indicam que esses manuscritos foram produzidos no Iêmen, por volta do século 13.

“A Torá reúne os livros que Moisés teria recebido de Deus. Na religião judaica, uma Torá precisa ser aberta e fechada ao menos três vezes por semana, então, é um documento que precisa de constante cuidado. Por isso, está em restauração no Horto”, explicou Wurman à Deutsche Welle.

As causas do incêndio de grandes proporções que atingiu o Museu Nacional e destruiu a maior parte do seu acervo ainda não foram determinadas.

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