Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Lista de falecimentos - 04/07/2015

Affonso João Senff: a voz de ouro do “A hora do aviso”

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Talvez nem todos os moradores de Porto União (SC), cidade irmã de União da Vitória, no Sul do Paraná, soubessem “a cores” quem era Affonso João Senff. Mas era só ligar o rádio que lá estava ele – sempre com seu vozeirão imponente –, dando os avisos diários. Affonso, ou Everton Luiz como era chamado no meio radiofônico, era o responsável pelos mais altos pontos na audiência da hora do almoço”com o programa “A hora do aviso”, na Rádio Colmeia. Para a família, era “A hora do pai”.

Affonso dedicou boa parte de seus 67 anos aos microfones. No início era um hobby, mas logo se transformou em profissão. “Se havia coisa que o pai tinha paixão, era o rádio”, conta Sibelle Senff, a mais velha das três filhas do radialista.

O gosto pelo rádio vinha da infância, mas a história com o veículo teve início na década de 1970, na cidade catarinense de Jaraguá do Sul. Na época, Sibelle era um bebê, mas já tinha de dividir seu tempo com o pai entre a Receita Estadual, onde era concursado, e os microfones.

Depois de alguns anos em Jaraguá do Sul, já aposentado, Affonso, a esposa e as filhas voltaram para a região das “Cidades Irmãs”, Porto União e União da Vitória. Ele integrou as equipes de várias rádios no Paraná, mas foi à Colmeia, estação localizada em terras catarinenses, que dedicou seus últimos 15 anos.

Nos bastidores era Everton Luiz, o “puxador de assunto”, carismático e ocupado, muitas vezes, com as cruzadas nos jornais. Segundo ele, essa era uma ótima forma de manter a mente ativa. Para o público, ocupava outro posto: era a voz de ouro, aquele em que se podia confiar. Assumia o “papel” de Affonso em casa: marido atencioso, pai conselheiro e o avô moderno. “Ele conversava de tudo com os netos, bem ‘prafrentex’”, brinca Sibelle. “Sobre o que eles falavam, o pai conversava. Não importava se era sobre carro, faculdade, dinheiro”, destaca.

Affonso viajava somente nas conversas com os netos ou pelas ondas do rádio. O estilo recatado e organizado demais distanciava-o de aventuras – o que para ele se traduzia numa viagem a Curitiba para visitar a mãe. “Quando nós éramos pequenos, ele saía bastante. Passeávamos na praia; o pai era mais novo”, comenta a filha. “Quando ficou velho, não saía de casa, preferia que as pessoas viessem visitá-lo”

O estilo caseiro do radialista até definiu um calendário próprio da família Senff: os fins de semana eram para se passar com o pai. Affonso era conhecido por ser um churrasqueiro de primeira, mas a carne só podia ser assada em casa ou com os poucos amigos que tinha. “Não importava se fosse na casa dele ou das filhas, o almoço de domingo era em casa, sempre em família”, conta Sibelle.

Mesmo com esse jeito intimista de levar a vida, ele não deixava escapar nada com relação às vidas das três filhas e dos quatro netos. Era de casa que Affonso coordenava toda a família. “Era o alicerce. Ele era quem dava o comando”.

O radialista tinha contatos para tudo, do encanador ao carpinteiro. Nada ficava por fazer em sua casa – o espaço de onde nunca saiu. Dona Auta Colita Senff, mãe do radialista, que hoje mora em Curitiba e está com 92 anos, deixou o cantinho para o filho há décadas e ele não quis se mudar. “O pai era muito apegado às suas coisas e não gostava de sair da rotina”, recorda a filha.

Affonso foi diagnosticado com câncer no fígado no início deste ano. A notícia chegou tarde. A família decidiu transferi-lo para Curitiba. Ele permaneceu na capital por duas semanas. Deixa a esposa, três filhas, quatro netos, a mãe e dois irmãos.

Lista de falecimentos - 04/07/2015

Condolências

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.