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LISTA DE FALECIMENTOS - 29/03/2015

Alceu Zanin: o homem que deu o nome de uma orquídea para a filha

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Conviver com a natureza era o melhor presente para Alceu Zanin. “Era uma pessoa que gostava de ficar só”, conta a filha Sandra. A chácara na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, era seu verdadeiro lar. Antes desse recanto, dedicou meio século às participações em eventos da Sociedade Paranaense de Orquidófilos, da qual era sócio, e aos cuidados com as suas orquídeas, no bairro Batel. Lá ganhou o título dos vizinhos de o “Homem das Flores”.

Na década de 1970, a primeira premiação em uma exposição rendeu não somente o título, mas o nome da última filha. A menina ganhou o nome de Lelia, que deveria ter o complemento de Púrpura, conforme a designação da espécie vencedora, mas a esposa, Judith, não permitiu. Ficou Lelia Regina.

Às voltas com as estufas mantidas ao redor da casa no Batel, Alceu sonhava em um dia comprar uma chácara. Queria sair da cidade, pois dizia ser um homem do campo. O desejo era que, quando se aposentasse na Sanepar – onde trabalhava em canteiros de obra cuidando da jardinagem – iria adquirir um pedaço de terra. E assim o fez em 1996.

A opção por se recolher se somou à perda da amada Judith. Foi atraído pelos cheiros e cores da Lapa. E pelo silêncio. Entre árvores frutíferas, espécie de plantas e flores, mantinha o cuidado diário, quase que exclusivo, com as três estufas de orquídeas, as quais abrigavam milhares de mudas.

Em seu orquidário, passava horas regando plantas, podando as mudas, nutrindo e elaborando experimentos híbridos. Mantinha também o carinho artesanal de montar os vasos. Era como se cada uma das espécies fizesse parte da família. Ao longo da vida coletou e cultivou espécies raras.

Em um dos momento de coleta, quando estava com dois amigos em uma ilha em São Paulo, foram atacados por abelhas africanas. Ficou sem a visão de um dos olhos. Mas o problema que teve nunca foi empecilho para ser observador. Os netos costumavam dizer que o avô tinha uma mira precisa com o estilingue. Os momentos em família na chácara eram repletos de histórias contadas durante acampamentos em meio às árvores; e a famosa guerrinha de mimosas (tangerina) quando Alceu buscava o fruto no pé.

Não pedia e nem esperava ajuda para nada. Assim como dizia bom dia quando vinha visitar a família em Curitiba, sabia dizer até logo com a mesma rapidez, sempre com uma desculpa que precisava fechar as estufas. Quando perguntado se estava bem, a resposta era sempre: “não se preocupe comigo estou cada vez mais perto”. Do quê? Ficou a pergunta no ar, para a qual Alceu nunca deu explicação.

Para os filhos e netos, Alceu foi fazer brotar outras folhas e outras flores em outros campos. “Em cada árvore plantada e cada flor cultivada, ficou sua marca de paciência e cuidado”, afirma Sandra. Deixa quatro filhos, seis netos e três bisnetos.

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