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lista de falecimentos - 19/10/2015

Alexandre Luis Lourenci: a paciência e a fé do investigador

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Dentro da Igreja Batista Independente de Matelândia, Alexandre Luis Lourenci era “pau para toda obra”. Recebia os fiéis na porta antes do culto, plantava flores para enfeitar a igreja, consertava cadeiras e limpava tudo. Era só chamar que ele estava lá.

A Bíblia e as palavras de Deus eram a grande motivação de Alexandre. Lia muito. Tudo era relacionado aos ensinamentos cristãos. Passava tudo o que aprendia para frente. Gostava de dar bons conselhos e principalmente ensinar os filhos, Alessandra, Andressa e Alexandre Filho. Em todas suas “missões” e compromissos com Deus, tinha sempre a companhia da esposa, Eliane, e dos três filhos.

Além da leitura que fazia sempre, também gostava dos hinos religiosos. Escutava e cantava as músicas pela casa. Tirava de todas boas lições que completavam a sabedoria e o repertório de conselhos. Era um homem de muita fé.

Uma das lições mais valiosas que Alexandre aprendeu com a religião foi a de que a paciência sempre é a melhor maneira de resolver os problemas. Usava isso sempre. Resolvia tudo com muita conversa. Nesse sentido, era um apaziguador. Para ele nada podia ser resolvido de maneira violenta.

A paciência toda de Alexandre era exercitada na pescaria. A atividade combinava sempre com o jeitão tranquilo do paranaense. Não precisava nem ir longe para garantir os peixes: a casa de Lélia, sua mãe, era o local preferido. No terreno na cidade de Medianeira, Oeste do Paraná, ficava um açude em que ele e os amigos pescavam.

Gostava também de passar o tempo em casa, apenas descansando. Ficar com a família sempre que podia era essencial para Alexandre. Durante as folgas aproveitava ainda para levar as crianças para brincar nas pracinhas da cidade. Quando o tempo de folga era menor, brincavam de pular corda no próprio quintal. Ainda arrumava algumas horinhas para cuidar das flores que plantava. Os xodós eram as orquídeas - tratadas sempre com muito carinho.

A igreja, a família e os amigos da pescaria eram as distrações nos dias em que Alexandre não estava no trabalho. Há 12 anos era policial. Durante 9 atuou como militar e nos últimos três exercia o cargo de investigador da Polícia Civil. “Ser policial sempre foi um sonho dele. Desde criança. Ele gostava tanto do que fazia que costumava dizer que a polícia estava no sangue dele”, conta a esposa, Eliane.

Em todos os anos trabalhando na polícia, Alexandre passou por inúmeras cidades do Paraná. A primeira foi Pato Branco, logo depois se mudou para Realeza e depois para Santa Helena. Quando entrou na Polícia Civil foi trabalhar em Xambrê, na região Oeste do estado. Dividia sua rotina entre a delegacia e a casa em Medianeira.

Alexandre também era conhecido como Tio Chico. Ninguém sabe o porquê do apelido, mas era assim que foi chamado a vida toda. O policial era fã do goleiro Rogerio Ceni e grande torcedor do São Paulo. A paixão pelo time podia ser vista por quem entrasse no escritório onde ele mantinha em destaque uma camisa autografada pelos jogadores da equipe.

Em todos os momentos da vida de Alexandre -- além da calma habitual -- o que chamava mais atenção era a simplicidade. Ela podia ser vista na fala, na aparência e principalmente no paladar do paranaense. Amava as comidas caseiras, daquelas bem simples e não muito elaboradas, como um bom feijão e macarronada, por exemplo. Gostava também de pudim para sobremesa. O chimarrão quase nunca saía do lado do Tio Chico, por onde andava estava carregando a cuia. Tomava o mate no mínimo três vezes ao dia.

Alexandre estava trabalhando quando sofreu um acidente de carro. O investigador deixa a mãe, Lélia, o pai, Pascoalin, a esposa, Eliane, os três filhos, um irmão e uma irmã, sogro e sogra, quatro sobrinhas e muitos amigos.

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