
Quando começou a trabalhar com representação comercial fonográfica, no fim da década de 1960, Alfredo Skroch não imaginou o quanto a venda de discos de vinil marcaria sua vida e engrossaria seu leque de histórias.
Conheceu e ajudou a impulsionar a carreira de muitos artistas. Dentre os nomes, ninguém menos que os lendários Secos e Molhados, conjunto comandado por Ney Matogrosso, e figuras de peso da música nativista, como Gaúcho da Fronteira e o grupo Os Serranos. A dupla Tonico e Tinoco, com quem Alfredo fez amizade, chegou até a visitar a casa da família Skroch durante uma passagem por Curitiba.
Com seu inseparável corcel, Alfredo rodou milhares de quilômetros pelo Paraná e por Santa Catarina. Não à toa conquistou por duas vezes consecutivas, em 1977 e 1978 , o título de melhor vendedor do ramo no Brasil. Como prêmio, ganhou dois fuscas zerinho.
“Raspa do tacho”, foi o quinto e último filho do casal Júlia e Francisco. Nascido na capital paranaense um dia após o réveillon de 1935, só foi registrado quatro dias depois, pois o pai ficou tão feliz com a chegada do temporão que tomou umas cervejas a mais para comemorar – pelo menos era isso que Alfredo gostava de contar.
Ele não conseguiu conviver durante muito tempo com o animado seu Chico, que faleceu quando Alfredo ainda era bebê. Por isso, começou a trabalhar muito cedo para ajudar a família. A mãe, que limpava túmulos no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, podia sempre contar com o apoio do pequeno.
Durante os mais de 80 anos de vida, ele trabalhou também em uma loja de tecidos, no moinho de fubá de seu irmão e tocou até uma mercearia – além, é claro, do marcante emprego como vendedor de discos.
Apesar da perda precoce do pai, teve uma infância feliz. Nas ruas do Pilarzinho, adorava empinar pipa, soltar balão e jogar bola. Ainda piá, teve a oportunidade de assistir, do alambrado, a um jogo da Copa do Mundo de 1950, no Estádio Durival Britto e Silva, a Vila Capanema.
Pouco tempo depois, serviu como bombeiro na Aeronáutica. Lembrava com emoção da vez em que ajudou a apagar um incêndio em uma fábrica de sapatos na Avenida João Gualberto, na capital, ou de quando precisava ir até o Aeroporto Afonso Pena, na RMC, para ficar de prontidão, pois um avião grande chegaria à cidade.
Em maio de 1959, bem no “mês das noivas”, deu outro passo importante: casou-se, na Igreja das Mercês, com a jovem Melita, que conheceu graças aos irmãos da moça, amigos de Alfredo no bairro. A recepção, daquelas mais animadas, foi na Sociedade Vasco da Gama.
Melita e Alfredo tiveram dois filhos: Cristina e James. O menino, aliás, nasceu prematuro, aos 6 meses, e o pai não mediu esforços para cuidar da criança – tanto no hospital quanto em casa, mais tarde.
Foi um pai muito presente, proporcionando todo o conforto emocional e material que os filhos mereciam. James não perdia a oportunidade de acompanhar Alfredo aos jogos de futebol no Clube 3 Marias, programa sagrado com os amigos aos domingos.
Também adorava fazer churrasco e assar uma boa costela. Comandava a churrasqueira com maestria. Sem reclamar, fazia as compras na tarde anterior e temperava a carne à noite. No dia da reunião, acordava já cedo, sempre acompanhado de uma boa cuia de chimarrão e ficava ao redor do fogo.
Quando completou oito décadas de vida, em 2015, ganhou um festão. A decoração teve como tema discos de vinil e fitas k-7, relembrando os áureos tempos com o corcel pelas terras do Sul. Alfredo ficou muito emocionado e pôde encontrar amigos que há tempos não via. No fim, foi uma despedida mais que honrada. Partiria meses depois por causas naturais. Deixa esposa, dois filhos, quatro netos e dois bisnetos.
Dia 4 de março, aos 81 anos, de insuficiência respiratória, em Curitiba.
Colaborou: Mariana Balan.







