
O médico Antônio Estorilio amava história. Tinha prazer em aprender tudo o que podia sobre lugares, pessoas e objetos. Nasceu em Borá, em São Paulo, mas veio para Arapongas, no Norte do Paraná, ainda recém-nascido. Passou toda a infância na cidade. Contava que os pais Cristóvão e Conceição foram “desbravadores” da região. Era o penúltimo filho entre os 12 do casal. Saiu do interior para estudar Medicina na UFPR, em Curitiba, e sonhava com o dia em que retornaria para Arapongas. Queria comprar a casa da infância para transformar em museu. A ideia era preservar a história dos pioneiros do estado.
O gosto pelo resgate histórico – de seus pais e de Arapongas – também o fez se debruçar nas pesquisas sobre o assunto. De uma mistura entre romance, histórias reais e um pouco de sua biografia nasceu seu primeiro livro: Os Retirantes - História dos Desbravadores do Norte do Paraná. A obra demorou dez anos para ser escrita e foi lançada em 2009. “Ele gostava de escrever o tempo todo. Usava os momentos livres em casa e os intervalos dos plantões médicos para narrar suas histórias”, conta a filha Carla. Ele se preparava para lançar seu segundo livro neste ano; Diário de Viviane é um romance com toques autobiográficos. Participou de vários concursos de literatura com seus inúmeros contos.
Antônio sempre atuou como clínico-geral em Curitiba e tornou-se também especialista em anestesias. Como um bom cientista, tinha muita curiosidade pelas novas técnicas. Pesquisava sobre vários assuntos, entre eles os novos métodos para bloquear a dor. Apesar de sua fé irrevogável na ciência, aventurou-se nas leituras sobre a parapsicologia. Comprou uma coleção de revistas e publicações para tentar entender aquilo que considerava inexplicável.
Morou no bairro Rebouças, na capital, e lá encontrou seu grande amor. Avistou Janete ao olhar para a casa que ficava em frente a sua. A jovem vizinha tornou-se sua namorada e esposa, depois de dois anos. O casamento completou 50 anos em 2015. Os quatro filhos Jairo, Carla, Elisabete e Fabio deram ao pai as suas maiores alegrias: os seis netos. Antônio sempre deu muito valor para a família. Gostava de destacar que passou os ensinamentos vindos dos pais e de seus irmãos aos filhos e netos.
Suas distrações eram a comida e o futebol. Era torcedor do Coritiba, mas não frequentava muito os estádios. Fazia questão de assistir aos jogos pela televisão. Não tinha quem o tirasse da frente do televisor nas noites de quarta-feira. O médico foi a um jogo da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
A boa mesa era seu ponto fraco. Como tinha problemas cardíacos, deveria evitar alimentos pesados e gordurosos. Mas dava um jeito de escapar da dieta e apreciar seu prato favorito: pizza de calabresa e refrigerante. Também não comia legumes e tomava pouca água.
Antônio foi diagnosticado com um câncer no reto no fim de 2014. Por oito meses lutou contra o avanço da doença. Esteve internado e passou por uma cirurgia. Emagreceu muito. Depois de recuperado da internação, ele queria recolocar a vida em ordem. Os quilos que tinha perdido, porém, eram um impedimento. Em junho de 2015, em uma nova ida ao hospital, descobriu que a doença havia se espalhado. Alguns órgãos começaram a falhar em 5 de junho e Antônio não resistiu. Deixa a esposa Janete, quatro filhos, seis netos, um genro, duas noras e cinco irmãos: Mercedes, Geraldo, Maria, Luzia e Deolindo.
Dia 5 de junho, aos 78 anos, de câncer, em Curitiba.







