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Lista de falecimentos - 14/05/2015

Carlos Alberto Weiss: “vem dançar com o vovô”

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Carlos Alberto Weiss era “pau para toda a obra”. Ele era o “chico faz tudo”, como designam popularmente aqueles que sabem fazer de tudo um pouco. Desde assentar um piso até a pintura de uma parede, Carlos tinha um palpite certeiro ou uma forma de realizar o serviço. Era mestre autônomo dos canos e tubulações. No quartinho da bagunça nos fundos da casa no bairro Barreirinha – “ou o quartinho dos sonhos”, como ele gostava de chamar – era possível encontrar de tudo um pouco. Mas que não entrassem sem pedir. “Era seu canto”, conta a nora Ana Paula.

Tinha dessas pequenas manias. Às 18 horas, era o momento de se trancar no quarto do casal e ter o seu momento de oração. Dizia que era a hora da reflexão; não era dado a ir seguidamente à igreja.

Toda as tardes também dava uma passada no bar. Era o momento de rever os amigos, jogar conversa fora e incentivar os que queriam largar o alcoolismo. Ele era o exemplo de que a perseverança, o apoio da família e uma dose de otimismo eram a fórmula para deixar de lado uma história ruim. Depois de frequentar o Alcoólicos Anônimos (AA), Carlos estava livre da dependência há 23 anos. Mas não se esqueceu dos amigos e, vira e mexe, acompanhava um ou outro nas reuniões. De pouco em pouco, conseguiu levar muitos para o AA ao longo das duas décadas de sobriedade.

Tinha um jeito bonachão e uma forma especial de tratar a família e os clientes fieis. Se alguém ligasse precisando de ajuda, Carlos estava à disposição. Se pedissem para averiguar um problema hidráulico, ele largava o que estava fazendo e saía para resolver. Se um vizinho estivesse precisando de uma carona para ir ao médico, era Carlos que se oferecia. De conselhos à ajuda financeira, ele era o primeiro a ser procurado. Era o extrovertido da casa. Quando tirava o carro na garagem, já ia dando bom dia. Conversava com um e outro.

Se tivesse tempo, tirava uma foto nova de um dos netos. Eram o seu orgulho. Homem do trabalho pesado, sabia ser açucarado quando o assunto envolvia os seus herdeiros. Depois dos almoços de domingo, era a hora do cochilo da tarde. Pegava um neto no colo com a desculpa de fazê-lo dormir e ia para a cama. Os pequenos iam atrás. A mais marcante das brincadeiras era aquela em que Carlos pegava cada um deles no colo e repetia “vem dançar com o vovô” de rosto colado. Era uma risada só. Todos também se divertiam com as estrepolias do cãozinho Sansão, que apreendeu com Carlos a pular e a dar a patinha para cumprimentar.

Dos encontros semanais, a família recorda-se com saudade da costela assada. Ele aprendeu a fazer com o pai, Albino, açougueiro de profissão e bom assador. Mas não fazia concorrência com a mulher, Dorinha. Os churrascos ocorriam uma vez por mês; não queria fazer ciúmes.

Mensalmente, deixava um agrado para os netos. Sempre relacionado à comida. A nora Ana Paula lembra-se de quando estava grávida e teve vontade de comer ostra. Carlos foi até Paranaguá, no Litoral do Paraná, para buscar o motivo do desejo.

Dos momentos de lazer, as pescarias na Represa do Capivari com amigos ficaram na lembrança do filho Junior. Saíam na madrugada. O pai não tinha histórias de pescador, mesmo sendo piadista nato.

Como torcedor de futebol, Carlos era Atlético roxo. Não perdia uma partida do Furacão pelo pay-per-view (pacote pago oferecido na tv a cabo). Quando a bola rolava no campo, a palavra de incentivo vinha no grito “agora vai”. Ganhando ou perdendo, continuava amando o clube do coração.

Carlos manteve o otimismo mesmo durante os dias que permaneceu no hospital e nos 40 minutos que ficou na UTI. Deixa a viúva Doracy (sua Dorinha), os filhos Carlos Junior e Ana Paula, o genro Eduardo, a nora Ana Paula, e quatro netos: Yan, Manoella, Eros e Arthur.

Lista de falecimentos - 14/05/2015

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