A curitibana Edith Pizzatto era descendente de alemães por parte da mãe e de dinamarqueses pelo lado do pai. Quando era menina, tinha o típico rosto de “alemãzinha”.
Nasceu em 24 de agosto de 1918 e passou boa parte da infância entre as aulas de ginástica, corrida e tênis. As poucas horas vagas restantes eram preenchias com lições de piano. O instrumento foi uma de suas grandes paixões e o responsável pela predileção da moça por música clássica – em especial Chopin.
Anos mais tarde, conheceu Antero Sadi Pizzatto e eles começaram a namorar. Eram da mesma turma de amigos e frequentavam os bailes do Clube Concórdia. Casaram em 11 de fevereiro de 1940.
Edith se apaixonou por Sadi, como era conhecido, e pela profissão dele. Médico, ele trabalhou com Erasto Gaertner e foi um dos idealizadores do hospital homônimo.
A curitibana participou, em 1953, da criação da Rede Feminina de Combate ao Câncer do Paraná. Inicialmente era um meio de levantar fundos para a construção do Hospital Erasto Gaertner. Ainda na fase do projeto, a instituição precisava de investimentos e diziam que “ninguém melhor do que as mulheres para conseguir doações”.
Assim, ao lado de Anita Gaertner, esposa de Erasto, começou a criar meios de conseguir capital – o que fazia com êxito, principalmente por ser bem relacionada com diversas personalidades da época.
O envolvimento do casal com a causa era tamanho que os dois acabaram se mudando, de mala e cuia, para o Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná. Dessa forma não teriam gastos com aluguel e poderiam destinar todos os recursos à empreitada.
Com a inauguração e posterior crescimento do hospital, a Rede Feminina também cresceu. Em meados da década de 80, Edith se tornou presidente da entidade e passou a gerenciar 400 voluntárias em 16 cidades.
Tinha um carinho especial pela ala pediátrica do Erasto, de onde muitas vezes saía chorando, emocionada com a felicidade e, por vezes, resignação das crianças com câncer. Com extrema sensibilidade, influenciou os dois filhos a seguiram a profissão do pai e a darem atenção à pediatria.
Apesar do cuidado em situações com essas, era muito “durona” e centrada para assuntos corriqueiros, principalmente com os filhos. A personalidade dela ficava completa com o a do marido, que era mais tranquilo.
Com a intensa dedicação de Edith ao voluntariado, os filhos acabaram sentindo a sua falta. Mas a ausência era compensada nos fins de semana na chácara em Colombo. Lá, cozinhava e os pratos são sempre lembradas pela família, que adorava, em especial, o cuque de uva ou banana que preparava.
Também tinha um apreço por flores. Não saía da chácara sem ao menos colher um buquê. Em casa, desenvolveu uma coleção de orquídeas, com pelo menos 30 exemplares.
Em meados de 2000, parou de ir ao hospital fisicamente, mas nunca deixava de pensar em seus momentos no local. Passou a dedicar seu tempo aos netos, mas sempre dizia: “que saudade das minhas crianças do hospital!”.
Edith deixou dois filhos, quatro netos e quatro bisnetos. Todos estão com o coração tranquilo, pois sabem que ela viveu intensamente e cumpriu a sua missão.
Dia 13 de abril, aos 97 anos, de complicações de uma traquiobronquite, em Curitiba.
Colaborou: Cecília Tümler.







