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Lista de falecimentos - 31/08/2015

Hélio Teixeira: a intensidade na vida, no jornalismo e no Joaquim Américo

 | Divulgação/ FAEP
(Foto: Divulgação/ FAEP)

Hélio Teixeira era um torcedor fanático. Quando o Atlético foi Campeão Brasileiro, em 2001, quase gerou um incidente diplomático na Itaipu Binacional: queria colocar uma gigantesca bandeira vermelha e preta na barragem, do Brasil ao Paraguai. Convencido por mais de uma pessoa sobre os possíveis problemas institucionais da manifestação esportiva, acabou colocando apenas um pano no lado brasileiro da fronteira. Em seus inúmeros escritórios na vida, o Furacão sempre marcou presença de alguma forma.

Em alguns eventos públicos – trabalhou como assessor de políticos de José Richa e Mário Covas –, fez soar o hino atleticano, o que resultou em alguns apupos. Dos períodos românticos do Joaquim Américo, familiares lembram-se do curioso hábito de pular o cercadinho do estádio para conferir os treinos da equipe.

A rotina do jornalista, fortemente influenciado pela revista Realidade, era sanguínea, de imersão. Acordava às 6h30, lia a Gazeta do Povo, escutava a CBN até as 7h30 e depois colocava na BandNews, no programa do Ricardo Boechat. Então ia oficialmente começar a jornada de trabalho. Consumia informações onde estivesse, e à noite conferia o Jornal Nacional, seguido de incursões pela Globo News. Afirmava que jornalismo não era executar o expediente e ir embora. Não era um burocrata da informação.

Nascido em Palmeira, nos Campos Gerais, formou-se pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Trabalhou na Veja e ganhou um prêmio Esso. Foi repórter da Placar e do Jornal do Brasil. Dínamo, cobriu guerras, greves , maternidades. No período à frente da Itaipu Binacional – foi superintendente de comunicação social – revolucionou o entendimento do jornalismo empresarial no Brasil. O modelo implantado era baseado menos em números e mais em histórias e presencialidade. Recebeu diversos prêmios internacionais e popularizou na redação local a expressão Projeto TBC, de “Tire a B... da Cadeira”. Trabalhava na Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) há seis anos.

Era reconhecido por ser uma pessoa muito vibrante, capaz de abraçar cargas descomunais de atividades. Lia diversos livros ao mesmo tempo – nem sempre até o fim – e era de priorizar o contato com a equipe de trabalho. Não gostava do jornalismo por telefone e dizia que tudo ocorre muito rápido atualmente. Mudou-se de casa incontáveis vezes e gostava de pescar para desopilar um pouco, embora fizesse isso com capacidade duvidosa.

Hélio fumava muito. Também tomava café além do bom senso. Roía as unhas com constância – os períodos de abstinência até eram comemorados – e não foi exatamente religioso. Teve intensidade no uso de palavrões nas conversas informais. Era amigo de mover geografias. Fazia o que podia quando colegas de redação eram demitidos. Viajava de um estado ao outro para apresentá-los às pessoas certas e dava um jeito de ser solidário e efetivo em suas derrotas profissionais. E nas vitórias. Quando Nilson Monteiro foi condecorado com o título de cidadão honorário de Londrina, Hélio organizou, juntamente com Ernani Buchmann, uma caravana de curitibanos para assistir à entrega do título.

Ouvido atento, nos anos 1970, foi a Londrina entrevistar os dois candidatos à prefeito – Antonio Belinati (MDB) e Neco Garcia (Arena), grande criador de gado – em uma matéria para a Veja. Corria um boato na cidade de que os eleitores da oposição teriam dito que o seu candidato ganharia porque “boi não vota”. À beira da piscina da casa de Neco, a esposa do arenista retrucou, sem maiores pretensões: “o Neco vai ganhar porque burro não vota”. A matéria saiu na Veja com destaque e desestabilizou a candidatura de Neco.

Era um contador de histórias, divertido, agitado. Sexagenário, ganhou de presente o livro O Sexo Depois dos 60 Anos. Horas depois ligou ao amigo, revoltado, por o livro ser todo em branco. Detestava o apelido “Badanha”, de origem incerta e aparentemente pouco gloriosa.

Generoso e acolhedor com os colegas de trabalho, independente da idade e experiência, Hélio andava mais recolhido nos últimos tempos. Estava revendo menos os amigos e fugindo de eventos sociais. Queria curtir a família e a netinha Isabela. Gostava muito de MPB, principalmente Chico Buarque. Em seu carro, sempre tocava Frank Sinatra. Dizia que, quando morresse, queria que se fizesse ouvir em seu enterro a canção My Way. Não tocou. Deixa a esposa, Iva, dois filhos e dois netos.

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