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Lista de falecimentos - 20/07/2015

Jandyra Joly Cardoso Alves: a prendada defensora da harmonia e da paz

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

“Quando um não quer, dois não brigam.” O ditado popular acompanhava o dia a dia de Jandyra Joly Cardoso Alves como uma filosofia de vida. Bastava ela perceber que os ânimos estavam se acirrando e já entrava em campo na tentativa de acabar com a discussão. Com seu jeitinho calmo, já vinha oferecendo alguma comidinha aos brigões, ou desviando a conversa para outro rumo. Normalmente dava certo e a discussão acabava sem danos graves. Era uma pacificadora.

Nasceu em Rio Negro, na divisa com Santa Catarina, mas veio com a família para Curitiba. Seu pai, Antônio, era comerciante, na verdade um “vendedor-viajante” e estava buscando novos ares. Na capital, a família logo se estabeleceu. O pai esteve à frente do Bar Pigalle, na Praça Zacarias, por muitos anos. O local, comprimido entre outras casas comerciais, ganhou o apelido carinhoso de Espremidinho. Mas Jandyra jamais comprovou a exiguidade do bar, assim como sua mãe, Maria; aquele era um território proibido para as mulheres daquela Curitiba, que ainda tinha ruas de terra e bondinhos como transporte.

Mocinha, ela dedicou-se a aprender as artes das prendas domésticas. Frequentou aulas de tricô e crochê, aprendeu a costurar, aprimorou-se na arte na cozinha. Quando se casou com Rubens, seu grande amor, já tinha um bom conhecimento de como administrar e lidar com os afazeres diários de um lar. A habilidade com as mãos se manifestava nos casaquinhos, sapatinhos, toucas de lãs feitos ponto a ponto e nos vestidinhos que costurava para a filha – toda semana fazia questão que a pequena vestisse uma nova criação nas matinês de cinema com a família.

Como não poderia deixar de ser, também fazia sucesso na cozinha. A neta Izabella lembra-se de que a avó fazia lasanha, macarrão, cuques de encher os olhos e a boca d’água. Adorava cozinhar, principalmente quando a casa estava cheia. E não era apenas nessas atividades mais delicadas que Jandyra se destacava. Vigorosa, a senhora prendada também colocava azulejos, trocava telha, cuidava da horta e das flores do jardim. Fazia o que fosse preciso para manter a casa em ordem, sempre com prazer e boa disposição. Afinal, era aquele o seu lar.

Jandyra conheceu o marido durante um baile de carnaval. Nos passos e rodopios da dança, a cumplicidade dos dois era total e isso se refletiu durante as décadas em que permaneceram lado a lado. Na comemoração das Bodas de Ouro do casal, Rubens chamou Jandyra de sua “companheira de vida”. Era verdade. Após o falecimento do marido, ela passou a usar a aliança dele junto com a dela. Era um jeito de mantê-lo por perto. Foi com Rubens que ela fez uma das viagens mais marcantes da vida, um cruzeiro pelo sul do continente americano. Foi assim que conheceu a Argentina e o Uruguai.

No tempo livre, Jandyra – que também era chamada de “Janda” pelos mais próximos – estava sempre acompanhada da revista de palavras cruzadas A Recreativa e de um dicionário. Os desafios não eram para qualquer um e as soluções só eram publicadas no número seguinte da publicação. Exigiam alta concentração e um vocabulário apurado, coisas que ela – mesmo não tendo passado muito tempo nos bancos escolares – tinha de sobra. Leitora assídua de Seleções, adorava as reportagens sobre viagens e culturas diferentes. Isso alimentava sua sede de conhecer coisas novas, além de servir para ótimas e longas conversas.

Outro divertimento era a música. Ouvia Frank Sinatra, clássicos italianos, Nelson Gonçalves e Sérgio Reis. Era eclética. Sempre se emocionava com Saudades de Matão. A canção trazia a recordação do pai e não eram raras as vezes que a fazia chorar de emoção. O amor pela família era tanto que Jandyra reservou uma parede inteira da casa para os retratos daqueles que amava. Nas fotos em que ela aparecia, normalmente estava feliz, radiante por estar cercada dos seus. Em uma das imagens aparece após o casamento de um dos netos.

Jandyra partiu por causa de problemas respiratórios. Viúva, deixa os filhos Roberto, Ricardo e Sonia, oito netos e oito bisnetos.

Lista de falecimentos - 20/07/2015

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