
O curitibano José Strappazzon Filho, o Zitti – como ficou conhecido desde criança –, foi uma das grandes personalidades do bairro de Santa Felicidade. Sua forte ligação com a região vem de família. De origem italiana, seus pais e avós participaram da fundação do tradicional bairro de Curitiba. A paixão por vinhos era um dos traços da raiz europeia. Dedicou toda a sua vida à Vinícola Santa Felicidade, que herdou dos pais.
Estava no comando da vinícola, que homenageia o bairro, desde a década de 1980. Junto com o irmão mais velho, João, Zitti deu continuidade ao trabalho não só da produção e comercialização de vinhos, mas também de manutenção da história da família.
A preocupação com o desenvolvimento do entorno da empresa também foi herdada dos pais. Costumava fazer doações para os mais necessitados. Também ajudava a igreja do bairro de duas formas: financeiramente e fornecendo todo o vinho da paróquia. Por sua grande preocupação com as instituições e moradores de Santa Felicidade, ficou conhecido pelo seu espírito altruísta e bondoso. Suas ações pelo desenvolvimento de Santa Felicidade foram reconhecidas por inúmeras autoridades. Após sua partida, foi homenageado com um minuto de silêncio na Câmara Municipal.
O bairro italiano também foi “responsável” pelo encontro de Zitti com sua esposa. Ele e Denise foram alunos da mesma escola na juventude. Em pouco tempo, a amizade evoluiu para o primeiro namoro da vida da jovem. E em meados da década de 1970 formalizaram a união. O casal teve dois filhos: Genise e José Júnior. Em 40 anos de casamento mostraram uma relação firme e de muito amor, a qual se tornou o grande espelho na vida dos filhos. Apesar do semblante sério, Zitti era um homem muito carinhoso com a família. Demonstrava isso na constante preocupação com o bem-estar da esposa, dos filhos e netos.
O casamento com Denise também lhe trouxe seu melhor amigo, o cunhado Guido, já falecido. Juntos formavam uma dupla de irmãos de alma e de coração. A cumplicidade entre os dois criou uma união além dos laços sanguíneos. Foi por meio dessa amizade que Zitti iniciou seu amor pela pescaria. Ele o cunhado costumavam pescar nos arredores da Baia de Paranaguá. Tinha verdadeira paixão pelo hobbie e praticava sempre que podia. Construiu o primeiro barco sozinho e aumentou ainda mais sua devoção ao mar. Mesmo com a morte do amigo, manteve o hábito pela vida toda. Lembrava das pescarias com o cunhado e lamentava sempre a partida dele.
O trabalho aliado ao sangue italiano lhe rendeu também uma gigantesca paixão pelos vinhos. Era apreciador e especialista. Tinha preferência pelos sabores mais encorpados do vinho seco, do qual tomava ao menos uma taça por dia. A bebida estava presente em todos os momentos, em especial nas comemorações. Por vezes, gostava de apreciar os espumantes, produzidos também pela vinícola, nas situações de festa. A carne assada era a combinação perfeita para acompanhar os vinhos do tipo seco.
Era católico, mas não costumava frequentar as missas, o que não diminuía a sua fé. Quase todos os dias visitava o Santuário de Nossa Senhora de Schoenstatt, no Campo Comprido, para sua reflexão e oração diária. O ambiente especial lhe trazia paz e conforto. Zitti estava estacionando seu carro no santuário, em 16 de março, quando sofreu um ataque fulminante do coração. “As irmãs da igreja gostam de destacar que ele foi repousar direto nos braços de Nossa Senhora de Schoenstatt”, conta a filha Genise. Deixa esposa, dois filhos, nora, genro, mãe e dois netos.







