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Lista de falecimentos - 19/08/2015

Laureni Martins Teixeira: o gentil magistrado do Tarumã

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Era sagrado: todos os dias Laureni – ou seu Teixeira, como também era conhecido – tinha de ler a Gazeta do Povo, sua fiel fonte de informações. Enquanto a saúde permitiu, ele fazia questão de ir pessoalmente comprar o jornal, aproveitando a ida até a banca de revistas para cumprimentar e conversar com os conhecidos e vizinhos do Tarumã, na capital. Por onde passava, dava um sorriso. A cordialidade era uma das facetas mais admiradas.

Nascido em Palmira, atualmente distrito de São João do Triunfo, Laureni Martins Teixeira mudou-se com a família para Curitiba ainda na juventude. Seu pai, João, era funcionário do Serviço Social da Indústria (Sesi) e havia sido transferido do interior para a capital. Laureni começou a trabalhar aos 15 anos, mesmo tendo de se dividir entre o trabalho e os estudos no Colégio Estadual do Paraná (CEP). Foi lá, inclusive, que conheceu a esposa, Antonia, durante uma festa junina.

Em 1969, formou-se em Direito. Depois, por insistência do amigo Edmundo Mercer Junior, foi para a Escola de Magistratura. Posteriormente foi aprovado em concurso e assumiu como juiz substituto em Campo Mourão. Foi o próprio Mercer que o nomeou e empossou. Durante a carreira, exerceu a magistratura em diversas cidades, como Teixeira Soares, Antonina e Ponta Grossa. A aposentadoria como juiz veio aos 40 anos. Laureni queria ficar junto da família e garantir o melhor atendimento a um dos filhos, que precisava de cuidados médicos constantes.

Mas mesmo com a aposentaria não ficou parado. Foi convidado a assessorar o Executivo do estado. Quando José Richa foi eleito governador, em 1982, Laureni já fazia parte do quadro de funcionários. Seu maior vínculo foi com a Secretaria de Estado de Educação, mas assumiu outras funções, chegando até a atuar como diretor-geral do Palácio Iguaçu. Nos mais de 20 anos em que trabalhou no governo, fez muitos amigos e sempre estava disposto a ajudar. Quando alguém não conhecia muito bem as exigências burocráticas, ele esclarecia e orientava com paciência e atenção. Não encarava isso como uma obrigação ou fardo, para ele era um prazer.

Nos momentos em família, Laureni – ou Ico, no vocabulário familiar – gostava de uma aventura domingueira. Adorava conhecer as grutas da Região Metropolitana de Curitiba, como as de Colombo e Bocaiúva do Sul. Da antiga Avenida das Torres, então de saibro, dirigia um jipe emprestado de vizinhos até a Estrada da Graciosa, onde armava o churrasco familiar. Era uma festa. Nas férias, o programa sempre incluía a praia. A Associação dos Magistrados de Guaratuba era o ponto de encontro no Litoral. Na beira-mar, ensinou às netas o prazer de desfrutar de um camarãozinho ao bafo.

Tinha o costume de guardar tudo em casa. O filho Luiz conta que em um antigo cachepô de latão, o pai mantinha todas as contas de energia elétrica, água e demais despesas desde o ano de 2003. Além da leitura diária da Gazeta do Povo, lia revistas semanais para ficar bem informado e poder manter a conversa atualizada. Ao comprar o jornal, de vez em quando aproveitava para levar as netinhas para passear. Enquanto o avô pegava jornais e revistas sobre política e economia, elas escolhiam as revistinhas próprias da idade. Adorava as pequenas e fazia tudo por elas.

Mesmo com um jeito extremamente tímido, era muito simpático e cordial com as pessoas. Era muito difícil vê-lo destemperado. Na maioria das vezes, apenas ria da situação e fazia piadas discretas. Era comedido também em relação à fé. Mesmo não praticando a tradição religiosa em que foi educado – o catolicismo – guardava as medalhinhas e santinhos recebidos como presente e mantinha um tercinho debaixo do travesseiro.

Quando a esposa, Antonia Zelita adoeceu, em maio de 2013, e precisou ficar acamada, o marido fez de tudo para manter a melhor estrutura e conforto possíveis para ela. Ela faleceu no Natal de 2013. No mesmo ano, veio a descoberta do câncer. E ele aceitou a doença com serenidade.

Sempre ensinou aos filhos que as dificuldades da vida devem ser encaradas com naturalidade. “Não é porque você sofre que as coisas irão mudar”, costumava dizer. E vez ou outra acrescentava que com tudo é possível se acostumar, até com a ausência das pessoas queridas. Aos poucos a doença o debilitou e depois de um período de internamento hospitalar, acabou partindo. Deixa os filhos Luiz Antonio e Julio Cesar, duas netas e a nora Ester, a filha do coração.

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