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Lista de falecimentos - 09/06/2015

Lauro Brandina: a simplicidade e o primeiro transplante de rim do Paraná

O médico Lauro Brandina | Arquivo da família
O médico Lauro Brandina (Foto: Arquivo da família)

A simplicidade era a marca registrada do doutor Lauro Brandina. O médico não tinha apegos materiais e usava os mesmos objetos por vários anos. A carteira era a mesma desde os tempos de faculdade, já muito surrada. Não fazia questão de comprar uma nova, pois aquela ainda cumpria sua função. Os sapatos também eram da mesma forma; já se passaram mais dez anos com o mesmo par, o qual sempre era levado ao sapateiro para reparos. O objeto mais luxuoso que tinha era uma caneta Montblanc, que por ser muito antiga já estava remendada com fita adesiva.

O paulista de Novo Horizonte nunca imaginou fincar raízes no Paraná. Graduou-se pela Universidade de São Paulo, em 1965, com o auxílio de uma bolsa dada pelo Jockey Club de São Paulo, como ele gostava de destacar. Chegou ao estado no começo da década de 1970, quando foi convidado para dar aulas durante uma semana na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Acabou morando na cidade no Norte do Paraná pelo resto de sua vida. Por 24 anos foi professor titular da UEL, onde também atuou como responsável pelas residências médicas em urologia. Falava que tinha orgulho em ajudar na formação de muitos dos melhores profissionais da especialidade do Brasil.

A presença do médico foi um marco na saúde do estado. Ele realizou o primeiro transplante de rim do Paraná, em junho de 1973. Apesar de sua especialidade ser a urologia, participou do desenvolvimento de outros tipos de transplantes no Brasil. Ele aparece na foto da equipe do primeiro transplante de coração do país. Participou e criou muitas associações e organizações de médicos e chefiou algumas delas.

A medicina também ditou o ritmo de sua vida pessoal. Conheceu Teresa Cristina por ela ser filha de médico e frequentar os mesmos locais que ele. O casal teve três filhos: Gilberto, Ricardo e Renato. Os dois primeiros também cursaram medicina. Renato, o mais novo, optou pela arquitetura, mas tinha em seu pai também uma referência como profissional. Ricardo foi o que seguiu mais de perto os passos de seu pai; também se tornou urologista. Os dois dividiam o consultório em Londrina. “Por tudo o que ele fez e era, ser comparado com o pai é sempre difícil e uma honra. Temos um grande nome a zelar”, ressalta o filho.

Apaixonado por esportes, era por meio deles que mantinha a saúde em dia. Durante muitos anos jogou futebol e praticava corridas diárias. Seu porte atlético era o que chamava atenção na sua aparência. Quando já era mais velho, o tênis ganhou espaço em sua vida e se tornou sua prática favorita. Praticou por muito tempo o esporte e fazia questão de jogar todas as semanas. Diminuiu um pouco a regularidade das partidas após alguns problemas no coração. Assistia aos jogos de tênis também pela televisão e gostava muito de acompanhar os campeonatos da modalidade pelo mundo.

Lauro era do tipo que gostava dos programas típicos em família. Sempre se reunia para almoçar com a esposa e com seus três filhos. Nos cardápios não abria mão de tomar um bom vinho, já que era um grande apreciador da bebida. Sempre que podia, viajava acompanhado da família. Na companhia de Gilberto e Ricardo, foi a congressos médicos em diversos países.

Tinha um carinho especial pela cultura e pela tradição em transplantes dos Estados Unidos. Lá ficava seu destino favorito: Nova York. Não perdia nenhuma a oportunidade que tinha de ir à metrópole norte-americana.

O nascimento de seu único neto, Caio, filho de Ricardo, também foi um momento de grande alegria para ele e para toda a família.

O médico estava internado no Hospital Evangélico de Londrina (HEL) para se recuperar de problemas cardíacos desde o início de 2015. Quando estava quase recebendo alta, Lauro teve uma pneumonia. Não resistiu às complicações do coração aliadas à doença no pulmão. Deixa a esposa Teresa Cristina, os filhos Gilberto, Ricardo e Renato, e o neto Caio.

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