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lista de falecimentos - 10/08/2015

Maria Elisa Schmitz Gazda: a oração por meio da música

 | Arquivo  da família
(Foto: Arquivo da família)

Há pessoas que nascem com o dom da música. Naturalmente dispõem de ouvido afinado, dedos ágeis ou voz harmoniosa que, com o devido aprimoramento, podem ser levados à excelência e tornar seu detentor um artista. Maria era uma dessas pessoas e conseguiu fazer desse dom muito mais do que uma profissão ou forma de expressão artística. A música era sua forma de oração a Deus.

Nascida na cidade catarinense de Jaraguá do Sul, Maria tinha a quem puxar em se tratando de música. Seu pai, Waldemiro Schmitz, comerciante da tradicional Casa Schmitz, aprendeu sozinho a tocar acordeão e todos os dias – nos horários do almoço quando o comércio fechava – ensaiava suas canções preferidas e aproveitava para passar aos filhos os segredos do instrumento. Foi o primeiro que ela aprendeu a tocar. Depois viriam o piano, o teclado, o órgão, o violão e a flauta.

Maria permaneceu em Jaraguá do Sul até o casamento com Silvio. Os dois se encontraram em um baile na cidade. Ao vê-la, o rapaz logo ficou interessado e perguntou para a prima que o acompanhava quem era aquela moça. A prima quase estragou o romance que nem havia começado. “Aquela lá? É uma chata!”, teria respondido a brincalhona. Após o casamento, o casal seguiu para Marilândia do Sul e depois para Curitiba, que se tornou definitivamente o lar da família. Foi na capital que Maria, já com filhos, entrou para a faculdade e formou-se em Licenciatura em Música. Não foram poucas as vezes em que ela teve de levar os pequenos consigo durante as aulas.

Mãe dedicada, fazia questão de acompanhar as atividades dos filhos. Se havia alguma partida de basquete, lá estava ela para vê-los jogar. Todos a conheciam. Por causa do filho Emmanoel, acabou carinhosamente apelidada de “Manezona”, a mãe querida do “Mané” (Emmanoel), do “Manezinho” (Emmerson) e da “Manezinha” (Ellisana).

Após a formatura, foi professora de flauta e música no Colégio Sion. A filha Ellisana a acompanhava e dava os primeiros passos na música com a ajuda da mãe. Aliás, o dom musical de Maria acabou passando a toda a família. Embora pouco tivessem em comum com os Von Trapp, os Gazda podiam ser chamados com toda a propriedade de “família musical”.

Junto com o marido e os filhos, Maria participou de diversos corais de Curitiba. Só no coral da Sociedade Thalia, ela permaneceu por mais de 25 anos. A família chegou até a viajar para outras cidades do Brasil e da América Latina para participar de festivais. Maria também costumava tocar em igrejas da cidade. Por muitos anos tocou o órgão da Catedral Basílica Nossa Senhora da Luz dos Pinhais nas celebrações dominicais e nas novenas de Nossa Senhora da Luz e de Santa Edwiges. Também tocou e cantou na Igreja São Vicente de Paulo e na Paróquia Santo Estanislau, bem perto da sua casa no Centro de Curitiba.

Para se preparar para as missas e apresentações, Maria fazia questão de ensaiar todos os dias. Uma vez definido quais seriam os hinos litúrgicos da celebração, ela estudava e executava a partitura com cuidado. Queria que sua música refletisse seu amor a Deus, como uma melodiosa prece. A música completava seu terço diário e as orações cotidianas.

Nos momentos em que não se dedicava à música, gostava de preparar quitutes para a família. Seu empadão era famoso e de presença certa – e até solicitada – em todas as reuniões e eventos. Ela também tinha dom para trabalhos manuais. Costurava, bordava, fazia tricô e crochê. Fazia trajes de contos de fadas para os filhos, fantasias e até vestidos para as bonecas das netas. Como avó carinhosa que era, podia ficar horas e horas – ou até a tarde toda – entretida com as brincadeiras dos netinhos. Mantinha um quarto inteiro só para eles, com dezenas de jogos e brincadeiras diferentes. Os netos adoravam.

No ano passado, exames revelaram a presença de um câncer. Maria não se deixou abater. Fortalecida pela fé, lembrava aos seus familiares que devemos sempre buscar a simplicidade e recomendava serenidade: “Vivam com Deus. Eu já estou em Deus”. Mais de 200 coralistas de Curitiba a homenagearam em seu enterro. Deixa o esposo, Silvio, os filhos Emmanoel, Emmerson e Ellisana, e seis netos.

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