
Pode-se dizer que os olhos azuis e serenos da curitibana Miriam Taísa Lopes Lau eram o espelho de sua personalidade. Eles refletiam aquilo que podia ser visto na prática pela convivência com a cantora: a alegria e a calma. Miriam era conhecida pelo seu bom humor e pela boa convivência com as pessoas.
Ela amava tudo aquilo que era ser vivo: pessoas, animais e plantas. Esse apreço se refletia não só nos cuidados com a família e amigos, mas também pelo seu carinho com os animais. Além do gato e cachorro de estimação, Miriam distribuía cuidados aos bichinhos que estavam na rua. Sempre que podia, alimentava e brincava com eles. Várias vezes também os levou ao veterinário para que recebessem cuidados. Os animais percebiam esse amor; Miriam chegava e era recebida com animação pelos cachorros e gatos do local. “Certa vez durante uma festa na casa de amigos, era bem tarde e ela sumiu. Quando fomos procurar, ela estava dormindo abraçada com o cachorro da dona da casa, deitada no chão”, lembra a amiga Mara Furtado.
Quando jovem, o interesse pela música foi despertado assim que conheceu Mara. O irmão Vitor Hugo lembra-se que ela nunca tinha demonstrado o talento que tinha para a família, mas, depois de começar as aulas de violão com a amiga, deslanchou também como cantora. Juntas, Mara e Miriam formaram o Grupo Vocal Nymphas. Fundado como uma “brincadeira”, em 1978, o grupo tomou forma e lá se vão mais de 30 anos.
Miriam era a mezzo soprano do Nymphas. Ela nunca faltou a nenhum compromisso do grupo e era muito dedicada. A festa de 30 anos reuniu cerca de mil pessoas no Canal da Música e foi uma espécie de coroação do sucesso do conjunto.
Profissionalmente, a vida foi inteiramente dedicada ao serviço público e à cultura. Trabalhou na Cinemateca e na Livraria Dario Velozo, locais que completavam sua personalidade. Era declaradamente cinéfila e apaixonada por leitura; seu trabalho fomentava ainda mais essas paixões.
O amor pela natureza também reforçava sua personalidade calma. Adorava o sol, a lua e as estrelas. Com a praia tinha uma relação ainda mais especial. Quando possível, fugia para algum lugar onde pudesse estar em contato com a areia e com o mar. Sua única obra como compositora foi dedicada a essa paixão. A música Beira-mar trata dessa relação com o litoral. O amor também foi lembrado na música Uma nympha, composta por Mara, em homenagem à amiga. Nos primeiros versos da canção já pode se ouvir : “Esperava o sol nascer / Pra lhe dizer ‘Bom dia’”.
Miriam teve que conviver com o falecimento precoce dos pais, de um dos irmãos e do marido. Ela assumiu o papel de mãe para seu irmão mais novo, Jean. Esse instinto materno também podia ser visto na sua relação com amigos e afilhados. Era muito “mãezona”, como definiu o irmão Vitor Hugo.
Durante toda sua vida, ela frequentou várias festas e Vitor a acompanhou em algumas. Ele conta que a irmã sempre foi muito alegre e festeira. Ainda na juventude, Miriam ganhou apelido de Miroko e passou a ser conhecida assim entre os amigos. O apelido japonês surgiu devido a uma fantasia usada em uma das festas. Naquela noite todos a chamaram assim e acabou pegando; está inclusive no primeiro CD do grupo Nymphas. Entre a família, Miroko era conhecida por “Polaca”, em alusão as suas características polonesas.
Devido a uma queda brusca de imunidade, Miriam desenvolveu o vírus da hepatite C e não resistiu ao rápido avanço da doença. Deixa dois irmãos, sobrinhos, amigos e as companheiras do Grupo Nymphas.
Dia 2 de abril, aos 56 anos, de hepatite C, em Curitiba.
Colaborou: Getulio Xavier.
Lista de falecimentos - 09/04/2015
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