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lista de falecimentos - 12/07/2015

Odair Cooper: fabricante de caixões até no sobrenome

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

O curitibano Odair Cooper parecia um homem predestinado a trabalhar no ramo funerário. Seu sobrenome, em irlandês, significa fabricante de caixões. Na Irlanda, tradicionalmente, a família Cooper esteve sempre ligada a esse setor comercial. Antes mesmo de descobrir a origem do sobrenome, Daio, como era mais conhecido, iniciou na atividade a convite de vizinhos. Produzia barris e engradados de madeira para transporte de diversos materiais. Certo dia precisou fabricar um caixão para um vizinho. A família dele estava sem dinheiro na ocasião. A partir daquele episódio passou a investir nessa atividade.

Daio comprou um bar perto de sua casa e passou a administrar o local, que servia como seu principal sustento, na década de 1960. Ao mesmo tempo em que tocava o negócio, fabricava os caixões e vendia-os para funerárias. Incomodado com o pouco lucro nas peças, sempre artesanais e entalhadas com flores feitas à mão, decidiu que compraria sua própria funerária. Em 1984, pouco mais de 20 anos depois de comprar o bar, decidiu fechá-lo e adquiriu sua própria empresa fúnebre, a Medianeira.

Apesar da morte ser sempre um assunto delicado, Daio sabia lidar da melhor maneira com a situação. Tinha verdadeira paixão pela sua função. Dizia que sua missão era ajudar as famílias no momento mais difícil. Seu legado como profissional foi sempre o respeito ao falecido. Tratava todos como se tivesse cuidando de seus familiares. Ele fez escola na família Cooper. Atualmente são três gerações trabalhando no ramo. Os cinco filhos, netos e outros parentes possuem as próprias funerárias ou trabalham na Medianeira.

Parte do tempo do empresário era dedicado à criação de aves. Sempre gostou dos animais, cuidava em casa de passarinhos e galinhas. Quando iniciou as atividades funerárias, passou também a criar pombos brancos. As aves faziam parte das homenagens fúnebres oferecidos pela Medianeira. Cuidava delas todos os dias, com muita atenção. Fazia questão de organizar pessoalmente as revoadas de pombos, fizesse chuva ou sol.

Quando jovem, Daio era um excelente músico. Costumava tocar pistão em bailes pela cidade. Foi em uma das festas que conheceu sua esposa, Anastácia Kindrazki. No intervalo da apresentação, ele chamou a jovem para dançar. Enquanto conversavam, prometeu que faria dela uma mulher muito feliz. Foram mais de 60 anos de casados. Fazia questão de levar o café da manhã na cama todos os dias para a esposa. Aos filhos Reinaldo, Soeli, Marlene, Edson e Ezequiel fez questão de ensinar a virtude da paciência. Durante os 86 anos, foram poucas as vezes em que perdeu a calma. Quando tinha de dar um conselho para resolver conflitos, dizia sem titubear: brigar não dá futuro.

Daio sofria com a diabetes e os altos e baixos nos níveis de glicemia no sangue. Foi internado com uma crise da doença no fim de junho. Quando tentavam conter a alteração, ele sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.

Todos os anos de dedicação para minimizar a dor das famílias que perderam um ente querido foram lembrados em uma grande cerimônia de despedida. “Ele teve o maior velório que eu já vi em todos os anos de profissão”, conta a neta Mylena Cooper. Chuvas de pétalas de rosa, marchas tocadas por violinos, balões vermelhos e inúmeras coroas de flor fizeram parte da despedida. Para finalizar o velório, uma grande revoada de pombos foi organizada. Ao todo, 500 animais sobrevoaram o céu, simultaneamente, em cinco cidades em que Odair, o Daio, era querido.

Dia 29 de junho, aos 86 anos, de parada cardíaca, em Curitiba.

Colaborou: Getulio Xavier.

Lista de Falecimentos - 12/07/2015

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