
Dois eventos eram certos na agenda mensal de Pedro Washyngton de Almeida: o almoço com toda a família e a pescaria com os amigos. A música e a literatura também faziam parte do seu dia a dia. Por ser um senhor muito bem-humorado e otimista, era conhecido por ver o lado positivo de tudo. Orador de mão cheia, fez uma longa carreira na comunicação no Paraná e esteve envolvido em assuntos políticos por toda a sua vida.
Pedro costuma dizer que era paulista de nascimento, mas curitibano de coração. Tinha verdadeiro amor pela cidade que o acolheu quando tinha 20 anos. Veio para a capital paranaense para continuar seus estudos, iniciados ainda no interior de São Paulo. Cursou Comunicação Social na PUCPR, principalmente por influência de seu pai Benedito Dias de Almeida, já falecido. Pedro não concluiu a universidade, mas nem por isso deixou de atuar no ramo. A faculdade também o fez encontrar o amor de sua vida, Dulce, na época sua colega de curso. Desde o início da amizade entre os dois notava-se uma cumplicidade e similaridade de pensamentos impressionantes. Pareciam conectados em todos os aspectos. Casaram-se em 1957 e tiveram cinco filhos: três mulheres e dois homens.
Trabalhou em rádios desde que chegou a Curitiba, mas se destacou por sua atuação como assessor de imprensa no ramo da política. Participou de inúmeras campanhas de importantes nomes da governança do estado, como José Richa, Jaime Lerner, Jayme Canet Jr. e Ney Braga. Durante sua carreira, criou um vínculo muito forte também com o interior do Paraná. Em todas as campanhas que trabalhou, ficou responsável pela valorização das cidades mais afastadas da capital. Aprendeu costumes e tradições de todas as regiões do estado, o que dava um ar de “caboclo” ao seu espirito culto, destaca o filho Eduardo.
O gosto pela comunicação e pelo interior do Paraná também fez com que comprasse uma rádio em Cascavel, na Região Oeste. Entre os anos de 1978 e 1981 comandou a emissora Independência. Optou então por voltar a Curitiba para ficar mais próximo de seus filhos. Ainda como jornalista trabalhou na Gazeta do Povo e no jornal Indústria & Comércio. Por último, atuava como assessor de imprensa e colunista político de diversas publicações no interior do Paraná.
Pedro estava sempre cercado pelos amigos e familiares, fruto do seu espirito agregador. Tinha a postura de um lord, sempre muito educado, e não falava palavrões em momento algum. Era um grande amigo de seus filhos. O pai admirava todos os herdeiros pela boa educação e dedicação aos estudos que sempre tiveram. Tinha a música como uma aliada da relação familiar. Era comum que ele cantasse enquanto as filhas tocavam violão. “Sua voz se assemelhava a do cantor Nelson Gonçalves, o que fazia dele um ótimo cantor. Não tinha como não parar para ouví-lo”, conta o filho Eduardo. Também não se privava de estar reunido para almoçar com toda família. Pelo menos uma vez ao mês queria estar com o dia exclusivamente dedicado aos filhos, netos e a esposa Dulce.
Desde muito jovem seu grande hobby foi a pescaria. Pedro não abria mão de uma boa ida ao rio para garantir, além dos peixes, boas histórias. Sempre que podia, fazia viagens acompanhado dos amigos de longa data. Formaram um grupo de pesca: o Clube do Lambari – oficializado na década de 1960. Por onde passava, ele fazia questão de contar os causos reunidos durante todos esses anos de pesca. Suas narrativas eram sempre cercadas de humor e muito carregadas de detalhes, afinal, era o típico pescador.
Nos últimos meses, sofria com um enfisema pulmonar. Com a chegada dos tempos mais frios, Pedro foi acometido por um princípio de pneumonia e estava no hospital por alguns dias. Quase recuperado da doença, sofreu um enfarte fulminante e não resistiu. Deixa a esposa; três filhas, Andrea, Cintia e Luciana; dois filhos, Pedro Jr. e Eduardo; nove netos; um bisneto e muito amigos.







