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Lista de falecimentos - 07/07/2015

Victor Adamowski: o campeão de xadrez apaixonado pela família e pelas orquídeas

Victor Adamowski | Arquivo da família
Victor Adamowski (Foto: Arquivo da família)

Victor Adamowski encontrou a mulher de sua vida, em 1967, a caminho de Juiz de Fora (MG). O enxadrista de coração e profissão seguia de Maringá, no Noroeste do Paraná, para a cidade mineira na tentativa de conquistar mais um título com o tabuleiro de xadrez. Na primeira parada do ônibus, em uma lanchonete à beira da estrada, perto de Sorocaba (SP), ele avistou Maria. A jovem maringaense estava em outro ônibus que seguia rumo a São Paulo e também havia estacionado no local para um lanche rápido dos passageiros.

“Apesar de morarmos na mesma cidade, não nos conhecíamos. Ele se aproximou e ofereceu um café. Eu não aceitei; não estava bem do estômago. Agradeci e retornei para a minha condução”, relembra Maria Krule. Ao chegar a São Paulo, destino da viagem de Maria, lá estava Victor. “Ele desceu do veículo só para falar comigo. Eu estava com pressa, entrei no táxi e segui para a casa de meus tios. Victor retornou para o ônibus dele e foi para a competição.”

Mesmo tendo ignorado o moço nos dois encontros, a jovem não parava de pensar nele. Dias depois, já em Maringá, eles se encontraram por acaso em uma praça da cidade, local em que estava sendo realizado um comício. Nesse dia a conversa fluiu e ele acompanhou a jovem até em casa. No caminho, contou a ela sobre seus títulos e sobre as viagens pelo Brasil para as competições. Ao se despedir, confessou que estava apaixonado. Com apenas um sorriso, a moça fez entender que ele era correspondido.

Novos encontros foram combinados. Cinema, lanchonetes e parques foram os locais que passaram a fazer parte da rotina do casal. O namoro começou, mesmo com resistência da família dela. O pretendente era dez anos mais velho e tinha duas filhas de outro casamento. Para Maria, apaixonada pelo enxadrista, isso não importava e o amor à primeira vista rendeu o enlace um ano depois.

As duas filhas do casamento anterior de Victor foram recebidas e criadas por Maria. Logo depois a família cresceu. Outras duas meninas nasceram e a casa ficou cheia. “Nunca houve distinção. Todos éramos muitos felizes”, comenta a matriarca.

Sempre que possível, a família toda viajava par assistir aos torneios. Victor gostava de ter os olhares atentos das crianças e da mulher, especialmente quando ganhava. O jogador só perdeu a companhia quando as meninas cresceram um pouco mais. “Ele era muito atento com os estudos e não deixava nenhuma delas faltar à escola. Foi quando ele passou a viajar novamente sozinho”, conta Maria.

Com um lar feliz, o patriarca também só tinha alegrias na profissão. O passatempo de criança rendeu o sustento por toda a vida. Aos 10 anos conheceu o xadrez e não parou mais. Participou 45 vezes dos Jogos Abertos do Paraná e foi campeão 12 vezes. Também foi campeão brasileiro de aspirantes e vice-campeão brasileiro – esse título foi justamente em Juiz de Fora, na viagem em que conheceu Maria.

Passou a vida aprimorando os conhecimentos. Livros e revistas especializadas no esporte estavam sempre por perto. Também procurava anotar as jogadas. Ao longo dos anos, juntou 200 cadernos, todos caligrafados apenas por ele. Era uma verdadeira enciclopédia do xadrez.

Com a idade chegando, preferiu repassar seus conhecimentos no tabuleiro para os mais jovens e acabou deixando de lado as competições. Nesse tempo, descobriu mais uma paixão: as orquídeas. Montou um orquidário nos fundos de casa e dedicava horas para cuidar e admirar a beleza das flores.

Nos três últimos anos, Victor provou que era guerreiro. Enfrentou dois derrames e uma pneumonia. Próximo de sua partida, a cirrose enfraqueceu mais a saúde de Victor, que já estava debilitada. Outra pneumonia levou o enxadrista novamente ao hospital no início de junho. Descansou no dia 20 daquele mês. “A primeira orquídea é a mais bonita e está viva até hoje. No dia do velório, levei uma flor e a coloquei ao lado do caixão. Hoje ela está novamente no orquidário, dando beleza ao que ele criou”, conta Maria. Deixa a esposa, quatro filhas, seis netos e quatro bisnetos.

Lista de falecimentos - 07/07/2015

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