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Lista de falecimentos - 04/08/2015

Waldemar Garcia Leal: o funcionário público que se tornou “tio San”

 | Arquivo de família
(Foto: Arquivo de família)

A vida de Waldemar Garcia Leal passou a ser mais tranquila quando ele trocou a roça pela cidade. Morador de Ivaiporã, no Norte do Paraná, ele pretendia dar uma vida melhor à mulher e aos seis filhos. Acostumado a trabalhar na lavoura, teve de aprender novas funções para conseguir um emprego.

Percebeu que com o pouco estudo que tinha, teria dificuldades. Não pensou muito e se matriculou em um supletivo para completar os anos que faltavam. Na primeira oportunidade, passou em um concurso municipal para o cargo de agente comunitário de saúde, em 1975.

Trabalhava com paixão e não se limitava aos afazeres a que era destinado. Se alguém precisasse de ajuda, lá estava ele. Sempre estava disposto a colaborar. A filha caçula, Rose, conta que muitas crianças e idosos foram levados ao hospital no fusquinha do pai. “Na nossa rua, ele era o único a ter um carro. Todos pediam ajudava e ele sempre prestava auxílio”.

Anos mais tarde, Waldemar passou a atuar na Vigilância Sanitária e inspecionava os estabelecimentos do município. Quando era obrigado a interditar algum, mesmo diante da situação conflitante, sabia agir com sabedoria, educação. Cumpria a sua função, mas mantinha a amizade e o respeito dos comerciantes.

Waldemar era dedicado ao trabalho, mas também à família. Tinha prazer em mantê-la reunida. Depois do trabalho ou nos fins de semana, a alegria dele era segurar uma cerveja gelada, enquanto cantarolava as modas de viola de Gino e Geno e Teodoro e Sampaio – suas duplas favoritas. Aos domingos, pelo menos durante as manhãs, a televisão era só dele. Acordava cedo, sintonizava a TV Cultura e assistia ao programa sertanejo “Viola, minha viola”, de Inezita Barroso.

Ao lado da mulher, Amélia, percorria o caminho da paróquia aos sábados e aos domingos. Era dedicado também à comunidade cristã e tornou-se diácono – função que se orgulhava em exercer, conta a filha.

Dizia a todos que era muito feliz. Os filhos estudaram, como era da vontade do pai, e se formaram em Direito, Pedagogia, Farmácia. Eles abriram um comércio e conseguiram a tão sonhada estabilidade. Waldemar se aposentou em 2001, mas ficou incomodado com a ideia de só ficar em casa. Tinha um dinheiro guardado na poupança e resolver instalar uma lanchonete ao lado da faculdade da cidade.

Começou ali outro capítulo especial da vida do ex-funcionário público. O bom relacionamento com a clientela jovem foi imediato. Alguns estudantes acreditavam que Waldemar tinha origem oriental por causa dos olhos puxados e passaram a chamá-lo de “tio San”. O apelido pegou e conquistou o apelidado, que usou o “codinome” como marketing para batizar o estabelecimento.

O aposentado aprendeu a usar as redes sociais e contava com a ajuda das ferramentas online para anunciar os petiscos e convidar os alunos para um “lanchinho” antes da aula. A estratégia foi certeira. O local vivia cheio.

Tudo ia bem até que Waldemar passou a sentir fortes dores abdominais no fim de janeiro. Foi diagnosticado com um tumor no estômago, o que o obrigou a se afastar do trabalho. Submeteu-se a uma cirurgia, em abril, e passou a fazer sessões de quimioterapia e radioterapia. Não resistiu e faleceu em 26 de junho, no Hospital do Câncer, em Londrina. Deixa esposa, seis filhos, dez netos e cinco bisnetos.

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