
Ouça este conteúdo
Elas movimentam a economia local, sustentam famílias, são um dos principais instrumentos de política pública de abastecimento alimentar da cidade, impulsionam o turismo e têm um papel importante na construção da identidade curitibana. As feiras livres, gastronômicas, de artesanato, orgânicas e noturnas, além das temáticas (tão aguardadas) e as eventuais que têm surgido, já fazem parte da rotina e da paisagem de Curitiba.
Feirante há 35 anos, Gabriele de Araújo Aschembrener, de 52 anos, é a terceira geração da família que tem nas feiras o seu principal meio de sustento e desenvolvimento. A história deles nesse ramo começou ainda com os avós dela, que vinham das suas pequenas roças até a região central de Curitiba para vender o que produziam.
“Era comum para as famílias de origem polonesa e italiana da época, irem até onde é hoje a Praça Tiradentes com os produtos. Depois os meus pais já começaram na feira livre com banca de pastel” conta.
A estrutura de feiras hoje em Curitiba é bem robusta e diversa. De acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN), durante a semana, 77 feiras livres acontecem.
Esse modelo, além de promover a geração de renda direta aos feirantes, contribui para a segurança alimentar e nutricional da cidade, ao disponibilizar alimentos de qualidade, e assegurar o abastecimento regular da população.
Em Curitiba existem também 13 feiras orgânicas, que fomentam, junto às feiras livres, a renda de pequenos produtores.
Durante a semana, ainda, são realizadas cerca de 20 feiras de bairro de artesanato, que já se tornaram uma vitrine importante para artesãos de Curitiba e da Região Metropolitana, dando a oportunidade para que eles possam divulgar, expor e comercializar seus produtos. Há também feiras de artes plásticas e de antiguidades, segundo o Instituto Municipal de Turismo - Curitiba Turismo.
Comida, diversão e arte (e renda)
A família da Gabriele, que agora chegou à quarta geração de feirantes, com um de seus filhos entrando também na área, fez há pelo menos dez anos a transição das feiras livres para as gastronômicas e especiais. “Foi uma época em que as feiras diurnas não estavam tão vantajosas para nós e apostamos no ramo culinário. E foi uma boa escolha, porque essas feiras têm crescido muito e se tornado até referência para cidades do Brasil e do exterior”, diz.
“Hoje eu trabalho com milho e derivados, meu marido com pastel e meu filho de 24 anos, com hambúrguer. De uns dez anos para cá a gente se profissionalizou, abriu empresa, temos oito funcionários e estamos em mais de 12 pontos de venda, sendo um negócio rentável."
Ponto de encontro de famílias, amigos e turistas, as feiras noturnas, gastronômicas, além das especiais, que acontecem quatro vezes ao ano nas praças Osório e Santos Andrade, e a dominical feira do Largo da Ordem, mesclam gastronomia e artesanato. Nelas, o trabalho de artesãos e artistas, a produção de pequenos comerciantes, e os sabores nacionais e internacionais em pratos típicos, movimentam a economia e o turismo.
A feira da Praça Osório, por exemplo, costuma ser muito aguardada pelos curitibanos e por quem visita a cidade. Ela, e a feira realizada na Praça Santos Andrade, ocorrem quatro vezes ao ano: na Páscoa, no Inverno, na Primavera e no Natal, desde 1992. E junto à cinquentenária Feira do Largo da Ordem, exercem o papel de geração de renda para os feirantes, mas também para os donos de lojas, bares, restaurantes e hotéis nas proximidades.
Com isso, é grande o impacto no emprego, no empreendedorismo, no turismo, e até na segurança pública, com a ocupação dos espaços sendo feita pela população. A Feira do Largo da Ordem, por exemplo, é uma das maiores do Brasil, e já chegou a ter em um único dia mais de 25 mil visitantes, segundo dados do Instituto Municipal de Turismo - Curitiba Turismo. Ela é uma das principais atrações da cidade, se firmando como um ponto especial dentro do roteiro turístico da capital paranaense, e é tida como patrimônio imaterial da cidade,
A tradição destas feiras e o impacto na economia e na cultura local serviram como modelo para a criação de novas outras com esse apelo temático. De acordo com o Instituto Municipal de Turismo, por meio dos polos gastronômicos existentes, muitos comércios e empresas ligadas à cultura e gastronomia buscaram inovar em eventos específicos e de curta duração, como o que tem acontecido duas vezes por ano na Rua Prudente de Moraes.
O Prudente Cultura une gastronomia, música, cultura e lazer, com ações que têm atraído cada vez mais pessoas no inverno e na época do Natal. Ainda, espaços importantes na cidade passaram a ser palco de grandes eventos, como a Praça Afonso Botelho, Pedreira Paulo Leminski, Parque Bacacheri, Parque Barigui, Passeio Público e Regionais da Cidade, onde tem ocorrido eventos, principalmente no Natal, com inúmeras programações que incluem algum modelo de feira.
“A feira significa tudo para mim. Eu já tive dúvidas no meio do caminho, mas resolvi enfrentar e não me vejo fazendo outra coisa. Foi por meio dela que a gente tirou o sustento e criou os dois filhos”, diz Gabriele. “Me considero uma feirante realizada profissionalmente e financeiramente. Sei que já está na hora de eu me aposentar, mas ainda estou relutante.”
VEJA TAMBÉM:










