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Leda Guimarães faleceu aos 99 anos, poucos meses antes da data em que se tornaria centenária, em 16 de fevereiro
Leda Guimarães faleceu aos 99 anos, poucos meses antes da data em que se tornaria centenária, em 16 de fevereiro| Foto: Arquivo da família

Leda Guimarães viveu sob o mantra de que a vida não é colorida, ela é feita para colorir. Figura conhecida na sociedade curitibana, foi professora de corte e costura de grande parte das moças que na metade do século passado se viam no dever de aprender tais ofícios antes do casamento. Mais tarde, tomou gosto por colorir e, em 2016, realizou sua primeira exposição. Faleceu aos 99 anos, no dia 26 de outubro do ano passado, poucos meses antes da data em que se tornaria centenária, neste dia 16 de fevereiro.

Aos 93 anos, pela primeira vez ficou impossibilitada de dirigir, restringindo bastante suas atividades diárias. Foi com o objetivo de ocupar a mente tão ativa da mãe que Norma Camargo, a filha, lhe presenteou com um livro para colorir para adultos, antiestresse. "Estava passando por uma banca, vi aqueles livros e pensei que seria uma boa ideia. Comprei um para mim, um para ela e uma caixa de lápis de cor. Ela se apaixonou por aquilo", conta Norma.

A partir de então, Leda completou o tempo livre com páginas e páginas de arranjos de flores, animais da floresta e mandalas que pediam por um colorido. Depois do almoço, hora da tradicional sesta, descartava a soneca para sentar-se à mesa em companhia de seus lápis. A precisão dos traços e a escolha das cores impressionava. Tanto que foi convidada pelo artista plástico Celso Coppio – após pintar um tucano junto com ele – para estrear no mundo das artes com uma exposição só de desenhos seus, na galeria dele. A mostra Colori Della Fantasia contou com mais de 80 desenhos à venda, em prol da Associação Santa Rita de Cássia. Em cerca de duas horas de coquetel, as peças se esgotaram.

Antes de se aventurar nas artes plásticas, Leda trabalhou por mais de 30 anos com outro tipo de riscado: o de vestidos, saias e demais produtos da costura. Dava aulas para jovens que queriam aprender a se virar com agulha e linha. Comprou duas máquinas de costura, montou grandes mesas em casa e viu a demanda por aulas aumentar cada vez mais, tanto que teve que contratar ajudantes. Caprichosa, exigente e metódica, a carioca que veio para a capital paranaense aos dois anos de idade conquistou a sociedade curitibana com vestidos de noiva, de debutante e enxovais.

Casada com o "Galvão Bueno das araucárias", Pedro Stenghel Guimarães (morto em 2014) frequentava diferentes esferas da comunidade da cidade. Foi ele, radialista, advogado e professor, quem cunhou o termo "Furacão" como codinome do Athletico-PR nas narrações. Também foi locutor da Copa do Mundo de 1950.

Mesmo idosa, Leda mantinha a vaidade. Na casa dos 80 anos, fez um book fotográfico com a filha e a neta. Entre a produção e as fotos, comentou: "Vocês estão muito bem, mas eu estou esplêndida". Depois de aposentada, se dedicou com afinco a causas relacionadas à solidariedade. Presidiu a Associação Santa Rita de Cássia, que atende há mais de 60 anos diferentes casos de vulnerabilidade social. Leda deixa uma filha, três netos e quatro bisnetos.

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