
O cooperativismo avança no Brasil e já atrai mais de 29 milhões de pessoas em 2025. O sistema, que permite que o associado seja também dono do negócio, movimentou R$ 848,37 bilhões no último ano. Grupos interessados em formalizar essas sociedades buscam orientação técnica e jurídica para transformar necessidades comuns em empreendimentos viáveis, indo muito além da simples obtenção de um CNPJ.
O que define uma cooperativa e quem pode fundar uma?
Uma cooperativa é essencialmente uma sociedade de pessoas que se unem em torno de uma necessidade comum, como vender um serviço, comprar produtos em melhores condições ou alcançar novos mercados com escala. Diferente de empresas tradicionais, ela é formada obrigatoriamente por pessoas físicas que, juntas, constituem uma pessoa jurídica. O número mínimo de fundadores varia conforme o ramo de atividade: enquanto sete pessoas são suficientes para criar uma cooperativa de trabalho, o setor agropecuário exige ao menos 20 integrantes para dar início formal ao novo empreendimento.
Quais são as etapas fundamentais para a criação desse modelo de negócio?
O processo começa muito antes da papelada, com a reunião de pessoas e a análise da viabilidade econômica. Interessados contam com o apoio da OCB e do Sescoop para verificar se o projeto faz sentido na prática. Após essa fase de amadurecimento, ocorre a assembleia de constituição, onde os fundadores aprovam o estatuto social, elegem a administração e o conselho fiscal. Somente após o registro em ata e o envio dos documentos para a Junta Comercial é que o processo avança para a obtenção do CNPJ e demais registros exigidos pelos órgãos reguladores da atividade escolhida.
Como a viabilidade econômica determina o sucesso do empreendimento?
Não basta apenas a vontade de cooperar; é preciso que o negócio seja financeiramente sustentável e que os sócios realmente utilizem os serviços da cooperativa. Um exemplo claro é o da Cooptur, que inicialmente focou em roteiros de lazer, mas precisou mudar sua estratégia para organizar visitas técnicas entre cooperativas quando percebeu que o público original não trazia o retorno esperado. Essa movimentação econômica constante dos cooperados é o que garante que a estrutura se mantenha, reforçando que o cooperativismo é um caminho democrático de mercado, mas que exige resultados.
Existem vantagens tributárias ou impostos específicos para as cooperativas?
Um mito comum é acreditar que cooperativas não pagam impostos, mas a realidade é que elas possuem obrigações tributárias como qualquer outra empresa. Embora existam tratamentos específicos dependendo da atividade e do chamado 'ato cooperativo', os custos com impostos são significativos e devem ser incluídos no estudo de viabilidade desde o primeiro dia. O modelo cooperativista não deve ser encarado como um atalho fiscal, mas sim como uma ferramenta de união que dá poder aos pequenos empreendedores para atuarem coletivamente em um sistema democrático e profissional.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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