
Pequenos produtores rurais da Serra Gaúcha transformaram antigas tradições familiares em um negócio de escala industrial que movimentou R$ 1,8 bilhão em 2025. Com apoio de 12 cooperativas, cerca de 4,7 mil famílias do Rio Grande do Sul deixaram para trás a produção artesanal nos porões para abastecer o mercado nacional com vinhos finos, espumantes e, principalmente, suco de uva integral.
Como as cooperativas ajudaram os pequenos colonos a ganhar escala?
A organização coletiva permitiu que famílias que antes produziam vinho de forma artesanal nos porões de casa pudessem investir em tecnologia e indústrias modernas. A partir das décadas de 1950 e 1960, as cooperativas passaram a receber a fruta in natura em vez da bebida pronta, o que padronizou a qualidade e ampliou o processamento. Hoje, propriedades minúsculas, com média de 2,7 hectares, conseguem abastecer estruturas gigantescas. Um exemplo é a Aurora, que recebeu mais de 93 milhões de quilos de uva na safra de 2026, garantindo que o pequeno agricultor tenha onde escoar sua colheita.
Qual foi a mudança estratégica na venda dos produtos das cooperativas?
A principal virada de chave foi a substituição da venda a granel pela criação de marcas próprias. No passado, a maior parte do vinho era transportada em caminhões-tanque para ser engarrafada por outras empresas, que ficavam com a maior parte do lucro. Atualmente, cooperativas como a Nova Aliança envasam cerca de 90% de sua produção com rótulos próprios. Esse processo de industrialização interna permite que o cooperado participe de todas as etapas da comercialização, agregando valor ao produto final e aumentando a remuneração direta para as famílias que trabalham no campo.
Por que o suco de uva se tornou o principal produto para esses produtores?
O suco de uva integral assumiu o protagonismo devido à mudança nos hábitos de consumo dos brasileiros, que buscam alternativas saudáveis a refrigerantes e bebidas alcoólicas. Na Vinícola Aurora, as vendas de suco saltaram de 8 milhões de litros em 2012 para uma projeção de 50 milhões em 2026, representando 70% de toda a uva recebida. Além de ser um mercado em expansão, o suco permite aproveitar variedades de uvas comuns, como a Isabel e a Bordô, garantindo um resultado econômico constante para o produtor mesmo quando a demanda por vinhos finos oscila conforme a moda do mercado.
Quais são os principais desafios e riscos enfrentados pelos agricultores hoje?
Apesar do sucesso, o setor lida com imprevistos climáticos e econômicos. Em 2024, enchentes e deslizamentos destruíram vinhedos que levarão anos para serem recuperados. Além disso, safras abundantes demais podem pressionar os estoques e derrubar os preços. Para mitigar isso, os produtores investem em diversificação, plantando uvas finas como Chardonnay e Pinot Noir, que chegam a valer três vezes mais que as uvas comuns. O uso de novas tecnologias, como drones para aplicação de defensivos e tratores modernos, também tenta tornar o trabalho menos penoso e atrair os jovens.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.






