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Frota em expansão

A interminável fila para o conserto

Com o número de carros nas ruas crescendo sem parar, oficinas e concessionárias já não dão conta da demanda por reparos e reposição de peças

  • PorCristina Rios e Renyere Trovão
  • 07/03/2011 21:14
José Piasson (à direita), gerente de pós-venda da Le Lac: só para revisão, revendedora atende 200 carros por dia | Priscila Forone/ Gazeta do Povo
José Piasson (à direita), gerente de pós-venda da Le Lac: só para revisão, revendedora atende 200 carros por dia| Foto: Priscila Forone/ Gazeta do Povo

Independentes

Problema é maior no mercado paralelo

O motorista que utiliza os serviços das oficinas independentes tem enfrentado ainda mais dificuldade, pois há peças genuínas de determinadas marcas que não estão disponíveis no mercado paralelo, somente nas concessionárias. "Há uma espécie de contrato de exclusividade entre fábrica e fornecedores de autopeças", diz Juliano Fidelis, coordenador de recepção pós-venda da Toyota Espaço Motors.

Alguns modelos da Citroën, Peugeot, Mitsubishi, Subaru e Kia estão no grupo onde o mercado de reposição ainda é carente, afirma Joarez Sofiste, proprietário da Sofiste Mecânica, Pintura e Lataria. "A porta de um Subaru, por exemplo, leva 20 dias para ser encaminhada pelo distribuidor", relata. Sofiste explica que muitas vezes tem de recorrer à própria autorizada da marca para obter a peça, mas nem sempre é possível achá-la. "Com o intensa produção de novos, a linha de montagem nas fábricas acaba absorvendo todo o volume de peças. Com isso, os fornecedores deixam de abastecer o mercado repositor", observa.

Os modelos chineses e sul-coreanos também engrossam essa lista de espera. "O retrovisor quebrado de um i30, da Hyundai, demora três semanas para chegar. Já os importados chineses, dependendo do conserto, passam três meses na oficina [independente]", revela Ronaldo Adriano dos Santos, funcionário da Branello Centro Automotivo.

De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Reparação de Veículos (Sindirepa), Wilson Bill, a maior dificuldade é com as peças importadas, principalmente peças originais mais antigas, que as montadoras não mantêm em estoque. "Há uma variedade de modelos muito grande, o que também é um complicador, principalmente para as oficinas. Os fabricantes priorizam a venda para as montadoras, que por sua vez abastecem as concessionárias. As redes independentes ficam na última ponta", afirma. De acordo com ele, a situação é mais grave nas montadoras que não têm fábricas no país, mas mesmo os modelos nacionais têm problemas.

O recorde de venda de veículos e o crescimento da frota trouxeram uma nova dor de cabeça para o consumidor. O motorista que precisa deixar o carro na oficina para conserto está tendo de enfrentar fila de espera e, no caso de reparos mais complexos, aguardar até 90 dias para ter seu carro de volta. Outro problema é a demora de importação de peças de reposição de algumas marcas.

Em algumas concessionárias, o movimento triplicou no último ano – reflexo do forte aumento da frota. O volume de automóveis em circulação no Paraná dobrou na última década, para 5 milhões em 2010. Somente em Curitiba 300 mil novos veículos ganharam as ruas desde 2008 e hoje a capital conta com 1,247 milhão de carros e motos, a quarta maior frota circulante do país, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

"Há muito mais carros rodando e, com isso, acontecem mais batidas", observa Alexandre Koslowski, encarregado de peças da Sevec, concessionária Hyundai na capital. Ele conta que o entra e sai na oficina cresceu de 20 para 60 carros ao mês nos últimos 12 meses.

Há um ano, a concessionária Kia Unica possuía apenas um estabelecimento na capital e tinha uma média diária de 15 veículos atendidos. Hoje conta com duas lojas e um fluxo médio de 30 passagens por dia. Na Ford Center, o movimento cresceu 23% em um ano, porcentual semelhante ao da Volkswagen Corujão, que registrou 21% de elevação no mesmo período.

O tempo de espera também acompanhou essa progressão, e quase na mesma proporção. Nas colisões de médio porte, com danos no capô e parachoque, por exemplo, o tempo médio de permanência na oficina passou de 15 para 30 dias, no mínimo. Já nos acidentes mais graves, que exijam troca de componentes do circuito elétrico e também de segurança, como air bags, essa passagem se arrasta por dois meses ou até mais.

"A frota cresceu muito e as concessionárias terão de investir para dar conta da demanda", afirma Luis Antonio Sebben, diretor da Federação Nacional da Distri­buição de Veículos Automotores (Fenabrave) no Paraná. Em algumas revendedoras, para fazer uma revisão de 10 mil quilômetros, por exemplo, o cliente precisa agendar o serviço com 15 dias de antecedência.

Mão de obra

As concessionárias vêm reforçando a equipe de funcionários para dar conta da demanda, mas a maior dificuldade é achar mão de obra especializada, segundo Maria Ester Ranon, diretora de pós-venda CCV, revendedora da Chevrolet. A saída tem sido treinar pessoal. A concessionária, localizada no Tarumã, acaba de contratar mais cinco técnicos para fazer frente ao aumento do movimento, que cresceu 17% em relação ao ano passado. Por dia são atendidos cerca de 150 carros.

A Fiat Barigui dobrou a capacidade de atendimento e contratou outros 32 funcionários para a área de pós-venda, que hoje conta com 308 funcionários, de acordo com Gustavo Yanes, gerente da área. Segundo ele, a demora acima de 30 dias para entrega dos carros em geral está relacionada à falta de peças. "Tivemos o caso de um carro batido que precisava de uma porta, importada da Turquia. A fábrica teve problemas na produção e, depois disso, o componente ficou parado na Receita Federal no Brasil por dez dias. Com tudo isso foram 45 dias de espera", afirma.

Para ele, o problema da demora é mais grave entre marcas importadas, que não se prepararam para o crescimento do pós-venda. "Há montadoras que cresceram 160% em 2010, mas que não montaram estrutura de atendimento para essa frota" diz.

A garantia estendida de até três anos, que algumas fabricantes passaram a adotar para seus automóveis, também contribuiu para o aumento do trabalho nas oficinas das revendedoras. "Hoje, se chove, no dia seguinte são pelo menos 15 novos carros nas oficinas", afirma José Tobias Piasson, gerente de pós-venda do grupo Le Lac. Em média, o grupo atende 200 veículos por dia somente de serviços como revisão. A demanda fez a empresa investir no ano passado na abertura de uma nova funilaria, localizada em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Com a nova funilaria, o volume de atendimentos passou de 150 para 250 por mês.

A mesma solução está sendo adotada pela Servopa, que em junho vai inaugurar um novo centro de funilaria para aliviar a loja matriz, no bairro Rebouças. "Essa era uma necessidade pela falta de espaço na matriz", explica Roger Pedroso, diretor do grupo, que congrega autorizadas das marcas Volkswagen, Audi, Honda, Peugeot e Hyundai. A nova estrutura terá 80 boxes e o grupo deverá contratar mais 80 novos funcionários. A Fórmula Renault informou que incrementou em 15% a mão de obra desde janeiro de 2010 e a Ford Center repôs o mesmo efetivo de funcionários perdido com a crise econômica entre 2008 e 2009.

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Interatividade

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