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TELECOM

A internet bate à porta do pessoal da vila

Com as vendas ao público de alta renda praticamente saturadas, operadoras de internet partem para a conquista das classes C e D. Estratégia inclui oferecer o serviço de casa em casa

Com acesso à banda larga, o técnico em eletrônica Marcos Eriberto dos Santos oferece conserto de televisores pela internet | Hedeson Alves/ Gazeta do Povo
Com acesso à banda larga, o técnico em eletrônica Marcos Eriberto dos Santos oferece conserto de televisores pela internet (Foto: Hedeson Alves/ Gazeta do Povo)
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Atentas à expansão do poder de consumo da população, operadoras de internet têm investido em novas estratégias de venda para pessoas da chamada "nova classe média" e até para as de baixa renda. Para se chegar a um potencial cliente, além da publicidade tradicional e de outros canais, como o telefone, agora as empresas mandam funcionários vender pacotes de internet de porta em porta.

Uma das que mais intensificaram os esforços na conquista do novo nicho é a Oi. O pacote de internet mais popular da marca, com velocidade máxima de 300 kbps e mensalidade de R$ 29,90, é vendido durante a visita de funcionários a regiões de menor renda média, principalmente em casas onde não há telefone fixo. A operadora não divulga o número de vendas de internet, mas revela que a nova política já responde por 30% das vendas de todos os serviços da marca.

O crescimento da internet fora das classes A e B também inclui velocidades mais altas de conexão. A GVT, por exemplo, que também faz vendas em residências, oferece pacotes de pelo menos 5 Mbps – velocidade 16 vezes superior ao plano mais básico da Oi – com mensalidade a partir de R$ 49,90, no pacote que inclui telefone.

Segundo o diretor de marketing e produtos da GVT, Ricardo Sanfelice, o crescimento nas vendas é entre as classes mais baixas. "O mercado de banda larga para o público A e B está saturado e continuamos com alta nas vendas, o que é um claro indício de crescimento entre classes mais baixas. Está ocorrendo um fenômeno na relação entre a classe C e a internet, e até a D, em menor escala", analisa.

Vida melhor

Morador da Vila das Torres desde que nasceu, o líder comunitário e técnico em eletrônica Marcos Eriberto dos Santos testemunhou a ascensão da internet na comunidade, que fica perto do bairro Prado Velho, em Curitiba. "A vida do povo aqui está melhor. Hoje, muitas pessoas têm internet banda larga em casa", diz. Ele mesmo é um dos que se beneficiaram com a rede. Com um pacote de 5 Mbps de velocidade, ele fez um site para divulgar seu serviço de conserto de televisores. Segundo ele, o site ajudou a elevar o número de trabalhos e, consequentemente, sua renda.

"Agora ofereço meu trabalho para o mundo todo. Busco e entrego o aparelho na casa da pessoa, se ela tiver medo de vir até aqui por algum motivo", diz Eriberto, satisfeito. Em frente ao computador, ele monitora os acessos do site e entra em contato com clientes, além de usar a ferramenta para lazer. Divide ainda o computador com a esposa e as filhas.

Perto da casa de Marcos, uma prova de que, apesar da expansão, a banda larga nos domícílios ainda tem muito a conquistar: uma lan house aberta há nove meses atende às necessidades de moradores. Os computadores não são de última geração, mas o negócio prospera. "No meio da semana, vem muita gente imprimir currículo, boleto de banco, essas coisas. É bem movimentado", conta Simone Lourenço Povoas, 22 anos, que administra o negócio junto com com os pais.

A maior parte dos clientes, no entanto, é jovem. "Eles costumam vir bastante pra fazer trabalho de escola e pesquisar. Nas férias, usam mais pra ouvir música, ficar no bate-papo e jogar", diz Simone. O investimento da família, de pouco mais de R$ 3 mil, foi feito com a ajuda de empréstimos e praticamente já está pago.

Ligações clandestinas

Para as empresas, as ligações clandestinas ainda são um obstáculo para a expansão das vendas em comunidades mais pobres. Mas a experiência com o setor de tevê por assinatura mostra como o desafio pode ser vencido. Na cidade do Rio de Janeiro, a Sky começou a vender o pacote Sky UPP, comercializado a um preço mais acessível nas comunidades beneficiadas por Unidades de Polícia Pacificadora. A empresa não divulga dados, mas diz que investimentos em segurança têm ajudado a substituir o chamado "gato" pelo novo pacote.

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