
A televisão dos Estados Unidos costuma usar dois eventos periódicos para mostrar as suas novidades no campo da tecnologia. Uma delas é o Superbowl, o grande jogo final da liga de futebol americano. O outro é a eleição presidencial. Este ano a vedete da cobertura foi o uso da computação para teletransportar os repórteres de um lugar para outro ou quase isso.
A façanha foi da CNN. Na noite de terça-feira, a emissora colocou a correspondente Jessica Yellin, que estava em Chicago acompanhando Barack Obama, no estúdio com o apresentador Wolf Blitzer, em Nova Iorque. Jessica surgiu no estúdio como um holograma imagem tridimensional gerada por uma parafernália tecnológica que incluiu 35 câmeras de alta definição e pelo menos 20 computadores (para entender melhor como isso foi feito, veja o infográfico ao lado).
Tradicionalmente, o que as emissoras de tevê costumam fazer em situações como essa é usar a famosa tela dividida, com o apresentador de um lado e a repórter em outro. A vantagem do sistema usado pela CNN é gerar uma imagem de corpo inteiro e de diferentes ângulos permitindo, por exemplo, movimentos de câmera que seriam impossíveis com a câmera fixa. As câmeras de Chicago tinham os movimentos coordenados com as de Nova Iorque, fazendo realmente parecer que ela estava no estúdio.
Mas a presença virtual de Jessica no estúdio não acrescentou nenhuma informação à cobertura, e por isso alguns críticos apontaram a aventura tecnológica como apenas mais um recurso para chamar audiência. A imagem da repórter na tevê não ajudou muito. No ar, ela comparou a si própria com a princesa Leia, personagem da série Star Wars que manda uma mensagem holográfica ao jedi Ben Kenobi. Mas a julgar pela maneira como apareceu no vídeo, cercada por uma espécie de halo azulado, como um fantasma, ela parece mais um personagem de filme de terror.



