
Rio de Janeiro - Depois de serem os principais responsáveis pela disparada de preços neste ano, os alimentos devem conceder um alívio para a inflação em 2009. Embora admitam uma imprevisibilidade latente no comportamento dos preços do setor, especialistas apostam em crescimento menor dos preços dos itens alimentícios para o ano que vem, em relação à forte elevação de preços registrada em 2008.
As expectativas são de redução de consumo, tanto no mercado interno, quanto no mercado internacional o que deve reduzir a demanda por esses itens no próximo ano. A economista da Brascan Gestão de Ativos (BGA), Mônica Oliveira, prevê aumento de 5% para os preços dos alimentos no varejo em 2009, menos da metade da taxa de inflação projetada para o setor ao término deste ano (10,80%). "O fator fundamental para a pressão dos alimentos na inflação deste ano foi um descasamento entre a oferta e a demanda, potencializado pelo aumento nos preços das commodities."
Na análise da especialista, esse cenário deve mudar a partir do ano que vem, quando o consumo no mercado interno arrefecer, influenciado por efeitos da atual política monetária, de elevação na taxa básica de juros (Selic).
A desaceleração na economia mundial também é um fator que pode ajudar a manter os preços dos alimentos em um nível menos elevado do que o apurado este ano, segundo o economista-chefe da Ativa Corretora, Arthur Carvalho Filho. Ele observa que mensurar uma tendência para os preços dos alimentos é algo delicado, visto que o comportamento destes, principalmente dos itens in natura, é muito volátil. "O problema é que atualmente os estoques (dos alimentos) estão muito baixos, então, qualquer oscilação de demanda gera uma correção de preços muito elevada."
Entretanto, embora comente que os preços dos alimentos podem registrar taxas de elevação significativas no ano que vem, o economista não acredita em uma pressão de aumento de preços como a apurada em 2008. Em sua análise, o mundo está caminhando para um nível de desaceleração econômica, o que deve puxar para baixo o consumo e diminuir o apetite por commodities.
Para o coordenador do núcleo econômico da Fecomércio-RJ, João Carlos Gomes, os preços das commodities têm subido de uma forma "perturbadoramente absurda" nos últimos dois anos. Porém, atualmente, as commodities não estão apontando para possibilidades de choques de aumentos de preços. Assim como a analista do Brascan, ele lembrou ainda que o consumo no mercado interno pode ter um recuo em 2009, refletindo o impacto da política monetária do Banco Central.
"É claro que, no caso dos alimentos, não dá para ter garantias, pois a situação pode mudar de uma hora para outra. Mas pelo está se observando atualmente, é possível um cenário de inflação baixa em alimentos, para 2009", afirmou. Por sua vez, o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, comenta que o Brasil não deve ficar de fora, no âmbito do processo de desaceleração da economia mundial. "Nossa projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano é de 4,6%; e para o PIB de 2009, de 3,4%", afirmou.
Embalada por um crescimento menos intenso, a demanda interna pode dar sinais de arrefecimento, puxando para baixo os preços dos alimentos. De acordo com o analista, a LCA prevê um cenário de produtos agrícolas em desaceleração para o ano que vem. Essa conclusão ajudou a projetar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2009 em 4,6%, abaixo da estimativa da consultoria para o fechamento do índice este ano, de 6,7%.



