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Sem fila no caixa

Amazon Go pode ser a porta de entrada da gigante do varejo nos aeroportos

Modelo sem caixa, em que os produtos são comprados pelo smartphone, seria ideal para o cotidiano apressado dos viajantes

  • Rachel Siegel
  • The Washington Post
Uma das lojas Amazon Go em Seattle, nos EUA. | Mike Kane/Bloomberg
Uma das lojas Amazon Go em Seattle, nos EUA. Mike Kane/Bloomberg
 
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Uma nova fronteira para as lojas da Amazon Go está se abrindo. A gigante do varejo está explorando as possibilidade da estreia desse modelo tecnológico “scan-and-go” de lojas nos aeroportos, segundo a agência de notícias Reuters. Até agora, a Amazon abriu sete unidades em Seattle, Chicago e São Francisco. Ainda na segunda-feira (10), o jornal The Telegraph, do Reino Unido, divulgou que a empresa também está buscando por novos locais em Londres.

Especialistas nas áreas de varejo e aeroportos concordam que o modelo da Amazon Go poderia trazer um boom ainda maior para a empresa e também para o universo das compras nos aeroportos como um todo, trazendo mais concorrência para o varejo nesses locais.

A Amazon não quis comentar essa aposta, mas os especialistas também dizem que os aeroportos poderiam ser o espaço ideal para a empresa implementar suas inovações, trocando funcionários por atendimento automatizado – e que isso poderia ajudar a empresa a estabelecer preços bem abaixo de outros modelos de lojas de conveniência que já atuam em aeroportos.

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“Um dos grandes problemas nos aeroportos é que as pessoas estão muito ocupadas e frequentemente muito estressadas, e há uma restrição no tempo”, disse Neil Saunders, diretor administrativo da empresa de pesquisa GlobalData Retail. “É muito interessante a Amazon estar olhando para isso.”

A Reuters citou pedidos de registros públicos enviados a várias operadoras de aeroportos que sugerem a realização de reuniões relacionadas a lojas Amazon Go. Esses aeroportos informaram a agência, mais tarde, que não tinham tido mais conversas com a Amazon e que o processo, para avançar, provavelmente iria envolver ofertas mais competitivas da parte da companhia.

A unidade de nuvem da empresa, Amazon Web services, tem mantido contato com aeroportos por razões não relacionadas à Amazon Go, também informou a Reuters. Uma pessoa familiarizada com a estratégia, no entanto, disse à agência que a Amazon está, sim, estudando como trazer as lojas checkout-free para os aeroportos.

Como funcionam as lojas Amazon Go

As lojas Amazon Go não possuem caixas nem para pagamento. Os compradores passam o smartphone por um scanner nas catracas. A partir daí, câmeras e sensores acompanham os clientes enquanto eles se movem, observando quais itens eles pegam ou colocam novamentes na prateleira. Uma vez que eles encontram o que precisam, os clientes passam novamente pelas catracas, recebem um comprovante e também a informação de quantos segundos ou minutos passaram dentro da loja.

As câmeras incluem sensores infravermelhos, mas a Amazon disse que a loja não usa reconhecimento facial. Alguns dos itens têm códigos grandes, para a facilitar a leitura pela câmera. Computadores instalados em toda a loja ajudam a emparelhar essas informações com os sensores de peso instalados em cada prateleira.

Quando a primeira Amazon Go abriu, em janeiro, rapidamente levantou suspeitas sobre como acompanharia os consumidores e o que faria com os seus dados. Especialistas em privacidade alertaram que os compradores poderiam não entender o quanto de informações pessoais eles estariam compartilhando. Eles salientaram como o sistema da companhia consegue não só rastrear o que você compra, mas em que partes da loja você passar a maior parte do tempo.

Veja como a Amazon Go funciona no vídeo promocional divulgado ainda em janeiro deste ano:

As vantagens da gigantes do varejo sobre outros negócios de conveniência

Tal nível de tecnologia se diferencia de outros varejistas do segmento, especialmente em aeroportos. Saunders disse que algumas lojas até tem opções como antecipação de pedidos por aplicativo, mas que a maioria dos viajantes não costuma pensar com antecedência no que quer para o almoço ou mesmo em quais revistas e petiscos quer levar para o voo, o que acaba fazendo com que as iniciativas existentes não atendam muito bem esse público. “Mesmo aplicativos com pedido antecipado “exigem que o consumidor faça algum esforço”, disse Saunders. “É justo dizer que algo foi feito, mas ninguém tem sido tão abrangente quanto a Amazon.”

De fato, os viajantes ainda encontram tempo e dinheiro para comprar nos aeroportos. Em 2017, gastaram mais de US$ 1,7 bilhão em dezenas de quiosques e lojas de conveniência dos maiores aeroportos dos Estados Unidos, por exemplo, segundo Airport Experience News Fact Book deste ano.

Ryan Hamilton, professor da Escola de Negócios Goizueta da Universidade Emory, salientou a diferença do peso da folha de pagamento para a Amazon e para as pequenas empresas como mais uma vantagem da gigante do varejo. Ele disse que as lojas Amazon Go precisam levar em conta o alto preço da instalação de um sofisticado sistema de câmeras e sensores, mas, considerando a quantidade de funcionários que trabalham nas lojas, a companhia não precisa se preocupar tanto com o alto custo dos salários – que, por outro lado, tendem a ser as maiores despesas para as pequenas empresas.

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Do ponto de vista da economia comportamental, a Amazon Go também poderia tirar proveito da compra por impulso dos viajantes, segundo o professor de psicologia e marketing da Universidade de Golden Gate, Kit Yarrow. Ele disse que os consumidores costumam gastar mais quanto não têm de passar de passar pela fila de pagamento, muito menos encarar um funcionário no caixa. “Inicialmente, os consumidores tendem a amar a conveniência, mas depois se perguntam se [ela] não é um pouco maligna”, observa Yarrow.

Ramon Lo, editor da Airport Experience News, disse que o modelo da Amazon Go funcionaria especialmente bem em grandes centros dos Estados Unidos – como Atlanta, Dallas ou Houston – onde muitos viajantes estão procurando opções rápidas e eficientes entre os voos de conexão. “Mas não espere que outros varejistas também apostem em modelos sem caixa”, adverte Lo. “Retirar os caixas das lojas tornaria difícil para as companhias gerenciar grandes multidões”, disse Lo, “especialmente se as lojas não forem configuradas com a mesma tecnologia que impulsiona a Amazon Go. A menos que os varejistas do aeroporto obtenham essa tecnologia de outra empresa ou enfrentem o enorme desafio de construí-la, a Amazon Go ficará sozinha.”

Tradução: Fabiane Ziolla Menezes

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