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Em junho do ano passado, moradores de Toledo foram às ruas protestar contra a exploração do gás de xisto | Cesar Machado/Vale Press
Em junho do ano passado, moradores de Toledo foram às ruas protestar contra a exploração do gás de xisto| Foto: Cesar Machado/Vale Press

Organizações ambientalistas promovem no domingo (4), em cidades do Paraná e de outros estados, uma série de manifestações contra a exploração de gás natural não convencional. A extração do gás de folhelho, mais conhecido como gás de xisto, é feita pela técnica do fraturamento hidráulico (“fracking”), que muitos consideram nociva ao meio ambiente e à saúde humana.

INFOGRÁFICO: entenda como funciona a técnica do fracking

Além de alertar para os riscos associados ao ciclo produtivo do combustível, o objetivo dos organizadores – a Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus) e a ONG 350.org Brasil – é chamar atenção para a 13.ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), marcada para a próxima quarta-feira (7).

PROTESTOS

Em Curitiba, a mobilização contra o fracking ocorrerá durante a feira do Largo da Ordem, por volta de meio-dia. Em Toledo, manifestantes de diversas cidades da Região Oeste se reunirão no Parque do Lago às 17 horas. Há atos previstos para outros sete estados e 28 países – no exterior, pessoas solidárias à causa devem se reunir em frente a embaixadas e consulados do Brasil e escritórios da Petrobras. Mais informações em www.naofrackingbrasil.com.br.

O leilão da ANP vai oferecer 266 blocos exploratórios de petróleo e gás – 182 em terra e 84 em mar – em dez bacias sedimentares. Em seminário sobre o gás de xisto na última quarta-feira (30) em Brasília, o coordenador da Coesus, Juliano Bueno de Araújo, pediu que o Ministério Público Federal busque a suspensão da licitação.

O leilão da semana que vem não envolve áreas do Paraná, ao contrário da rodada anterior, realizada em novembro de 2013. Dos 72 blocos arrematados naquela licitação, 11 ficam no estado, distribuídos por 123 municípios de uma faixa que vai da Região Sudoeste até o Noroeste. Eles foram adquiridos pelas estatais Copel e Petrobras, e por parceiras privadas, mas nenhum trabalho de exploração do gás de xisto chegou a ser realizado no Paraná, porque os efeitos do leilão no estado estão suspensos pela Justiça Federal desde junho de 2014.

R$ 174 MILHÕES

é o investimento previsto pela ANP no desenvolvimento de 11 blocos de gás não convencional no Paraná. Trata-se do valor mais alto dentre os estados que tiveram áreas de exploração adquiridas na 12ª rodada de licitações da agência. A Petrobras tem participação em sete blocos e a Copel, em quatro.

Após a licitação, municípios como Foz do Iguaçu, Toledo, Cascavel e Nova Santa Rosa proibiram a concessão de alvará a empresas que pretendam explorar o gás não convencional por meio do fracking.

Para Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil, o fracking é uma ameaça à segurança alimentar e hídrica.

“Cada poço utiliza de 7 milhões a 15 milhões de litros de água, o suficiente para abastecer uma cidade de 240 mil habitantes por um dia”, diz.

“Para fraturar a rocha, essa água é injetada com um mix de produtos químicos e 60% desse fluido é deixado no subsolo, o que pode contaminar não só o subsolo, mas os lençóis freáticos e o próprio solo. O raio de contaminação de cada unidade chega a 80 quilômetros.”

MORATÓRIA

Um projeto de lei que suspende a exploração do gás de xisto por cinco anos tramita na Câmara dos Deputados desde dezembro de 2013.

A iniciativa, do deputado Sarney Filho (PV-MA), foi apresentada dias depois da 12ª rodada da ANP. Recentemente, foi aprovada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, mas ainda parece longe de ir a plenário.

Para geólogo, técnica bem executada tem risco mínimo

A crítica ao fracking não é uma unanimidade. Especialista no assunto, o geólogo Paulo Cesar Soares, professor e pesquisador da Universidade Federal do Paraná, sustenta que, bem executada, a técnica tem riscos mínimos e controlados.

“Em poços horizontais [típicos da extração do gás não convencional] ou verticais, o fraturamento hidráulico é amplamente utilizado”, diz. “São 20 mil procedimentos por ano nos Estados Unidos e cerca de 100 no Brasil. Toda perfuração em busca de petróleo ou gás em nosso país utiliza o fracking, ainda que em poços verticais.”

Segundo Soares, os casos de contaminação nos EUA, divulgados à exaustão por grupos contrários ao fracking, ocorreram em poços próximos à superfície e antes da regulamentação da atividade, em 2009. No Brasil, diz o geólogo, a profundidade mínima para o uso da técnica é de 900 metros, o que praticamente eliminaria o risco de contaminação de aquíferos – na Bacia do Paraná, as rochas que podem conter o gás ficam pelo menos 3,5 mil metros abaixo da superfície.

“O fraturamento hidráulico tem inconvenientes, como qualquer atividade. Se não precisássemos de petróleo e gás, não teríamos de arriscar. Como precisamos, devemos levar em conta todos os custos e benefícios”, defende.

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