No pregão de ontem, a Bolsa de Nova Iorque teve alta de mais de 2% | ChrisMcGrath/AFP
No pregão de ontem, a Bolsa de Nova Iorque teve alta de mais de 2%| Foto: ChrisMcGrath/AFP

Perfil

Jovem e com uma bola de cristal

Meredith Whitney é uma das mais renomadas analistas do mercado financeiro dos Estados Unidos. Loura e jovem, com 38 anos, ela está na lista das 100 pessoas mais influentes feita pela revista Time. Ela ficou famosa em 2007, quando previu que o Citibank apresentaria um balanço fraco e que precisaria cortar os dividendos pagos a seus acionistas. Agora, ela volta a mexer com o mercado ao indicar que o setor bancário terá ganhos maiores do que o previsto.

Outra previsão de Meredith foi sobre o banco Lehman Brothers, que ela via como um dos mais frágeis no sistema bancário – em setembro do ano passado, a instituição foi à falência. Em 2007, a revista Forbes a elegeu como a segunda melhor investidora dos Estados Unidos, e no ano passado a rede de tevê CNBC premiou a analista com o títulos de "mais poderosa do ano". No início deste ano, ela abriu a consultoria Meredith Whitney Advisory Group, LLC – isso após passar por gigantes como o Oppenheimer & Co. e o banco Wachovia, onde se tornou a executiva mais jovem a liderar uma instituição financeira nos EUA. Ali, ela se destacou por fazer estudos sobre a indústria de cartões de crédito e o mercado imobiliário.

  • Meredith: previsões certeiras, até agora

São Paulo - As bolsas dos Estados Unidos fecharam em alta superior a 2% ontem, impulsionadas por expectativas positivas em relação aos resultados trimestrais do setor financeiro. Em parte, o otimismo sobre os bancos foi causado por um comentário feito pela analista Meredith Whitney – que figura na lista da revista americana Time deste ano das cem pessoas mais influentes do mundo. Ela elevou a classificação dos papéis do Goldman Sachs e disse que as ações do Bank of America também podem registrar algum ganho de valor.

Nesta semana, o mercado norte-americano ficará sabendo os resultados trimestrais dos maiores bancos do país, entre eles o Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Bank of America. O comentário de Meredith fez com que o mercado tentasse antecipar números melhores do que o previsto até ontem. Assim, o Dow Jones Industrial, principal índice da Bolsa de Valores de Nova Iorque, fechou com alta de 2,27%, em 8.331pontos, enquanto o S&P 500 avançou 2,49%, aos 901 pontos. A Nasdaq, bolsa de ações do setor de tecnologia, subiu 2,12%.

No primeiro trimestre, o Goldman Sachs teve lucro líquido de US$ 1,66 bilhão (ganho de US$ 3,39 por ação), ante US$ 1,47 bilhão em idêntico período de 2008. Já o Bank of America registrou lucro líquido de US$ 4,2 bilhões no primeiro trimestre do ano, quase triplicando seus resultados do mesmo período do ano anterior, quando o lucro foi de US$ 1,2 bilhão. O ganho do banco por ação foi de US$ 0,44, o que surpreendeu os analistas, que previam um ganho de apenas US$ 0,04 por ação. No quarto trimestre do ano passado o banco registrou um prejuízo de US$ 1,7 bilhão.

Brasil

No Brasil, a BM&FBovespa não aproveitou a escalada da Bolsa de Nova Iorque. O principal índice de ações brasileiro, o Ibovespa, teve leve baixa de 0,07%. No mercado de câmbio, a cotação do dólar voltou a ficar abaixo dos R$ 2, atingidos na semana passada. Com uma queda de 1,1%, a moeda norte-americana fechou a R$ 1,98.

O mercado acionário brasileiro foi prejudicado pelo desempenho decepcionante dos setores de siderurgia e mineração. No segmento, quem mais perdeu foi a ação preferencial da Usiminas, a terceira mais negociada do pregão, que terminou com recuo de 5,53%. Para Gerdau PN, a queda ficou em 1,78%, e CSN ON caiu 0,79%.

"Há expectativas ruins em relação à temporada de divulgação de balanços, que se intensifica nesta semana. O foco são as instituições financeiras, que recentemente devolveram boa parte da ajuda governamental concedida desde o colapso do banco Lehman Brothers, mas cuja solidez ainda está em xeque", avalia Miriam Tavares, diretora da corretora AGK.

Na BM&FBovespa, entre os maiores bancos, quem teve melhor resultado foi o Bradesco, com valorização de 1,26%. As ações do Banco do Brasil e do Itaú Unibanco terminaram estáveis.

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