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Construção

Após a crise, Abyara quer ampliar mercado

Incorporadora que teve dificuldades financeiras volta a falar em crescimento após mudança no controle

Obras do Botânica, em Curitiba: atraso após a empresa ser duramente atingida pela crise econômica | Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo
Obras do Botânica, em Curitiba: atraso após a empresa ser duramente atingida pela crise econômica (Foto: Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo)

Depois de sobreviver a uma crise financeira que levou a empresa a reduzir investimentos e vender seu controle para o investidor espanhol Enrique Bañuelos de Castro, a Abyara quer provar agora que está de volta à briga no mercado imobiliário nacional. A incorporadora anunciou em junho um aumento de capital de R$ 100 milhões, renegociou suas dívidas com bancos e retomou o ritmo de execução das obras. Em Curitiba, onde tem dois projetos – o Botânica e o Reserva Ecoville – a empresa garante que dará continuidade aos empreendimentos e diz que tem planos de ampliar sua participação. "Curitiba é um mercado prioritário", diz o presidente da empresa, Astério Safatle.

O executivo começou pela capital paranaense uma série de visitas a mercados considerados estratégicos, que incluem Caxias do Sul, Manaus, Juiz de Fora e Natal. É a primeira iniciativa de marketing da empresa desde que conseguiu reestruturar sua dívida. "Arrumamos a casa e agora precisamos trabalhar, voltar ao que sabemos fazer, que é construir e vender imóveis". Safatle é um dos fundadores da Agra, que junto com a Veremonte, de Bañuelos, comprou em fevereiro a Abyara. Com a operação, foi criada a Agre, holding que reúne, além da Abyara, (com foco de atuação na região Sul), a Agra – voltada para Norte e Nordeste – e a Klabin Segall (Rio de Janeiro). Todas as empresas atuam também em São Paulo.

Curitiba

Em Curitiba, Safatle contou que visitou um terreno que já é do grupo na Avenida República Argentina, na região sul da cidade, no qual deve ser erguido mais um empreendimento do grupo. A intenção é acelerar a execução das obras já em andamento, como as do Botânica, primeiro empreendimento da Abyara no estado. Por conta das dificuldades da empresa, o condomínio, que inicialmente seria entregue no fim de 2010, deve ficar pronto no primeiro semestre de 2011. "Mas ainda estamos dentro da margem estabelecida em contrato", acrescenta.

A Abyara fechou uma parceria com a JL Construtora – que passa a ter 50% do negócio – para viabilizar a execução da obra. O Botânica terá cinco torres e 560 unidades, com Valor Geral de Venda (VGV) estimado em R$ 236 milhões.

De acordo com o executivo, não estão descartadas novas parcerias para a execução das obras, inclusive para o Reserva Eco­­ville, com VGV de R$ 200 mi­­lhões, que deve começar a ser construído neste semestre e ficar pronto até abril de 2012. Das 35 obras que estão sendo tocadas no país, apenas dez são exclusivas da Abyara.

Dívida

Como parte da reestruturação, a Abyara quitou dívidas e alongou o prazo médio dos compromissos em três anos e meio. A dívida líquida, que era de R$ 455,9 milhões no segundo trimestre de 2008, foi reduzida para R$ 346,9 milhões no mesmo período deste ano, segundo dados do último balanço financeiro.

De acordo com Safatle, a empresa chegou a vender terrenos para pagar dívidas, mas a estratégia agora é manter os ativos. A carteira hoje, depois da construção, é de quase R$ 5 bilhões.

A Abyara foi uma das primeiras empresas imobiliárias a ingressar na bolsa – sua ação chegou a ser cotada a R$ 38 e hoje está na faixa dos R$ 4 – mas teve seu crescimento interrompido em meio à crise econômica por causa do forte endividamento, principalmente de curto prazo. "A empresa errou ao tentar dar um passo maior do que a perna" reconhece Safatle. No entanto, ele diz que vê um grande potencial de crescimento para o setor nos próximos anos, embalado pelo aumento do crédito. De acordo com ele, o rápido avanço do mercado nos últimos anos foi responsável, por exemplo, por elevar o preço do metro quadrado em Curitiba. "No passado, ele chegou a ser bem menor do que em outras praças, mas hoje o valor já está em linha com a média nacional", diz.

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