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Assédio

Após protestos, Google promete aumentar transparência em casos de assédio sexual na empresa

No dia 1.º de novembro, 20 mil funcionários de 50 escritórios do Google no mundo inteiro se mobilizaram para cobrar ações da empresa em casos de assédio

  • Taylor Telford
  • Washington Post
Funcionários do Google protestam em Mountain View, Califórnia, sede da empresa. | Michael Short/Bloomberg
Funcionários do Google protestam em Mountain View, Califórnia, sede da empresa. Michael Short/Bloomberg
 
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Uma semana após 20 mil funcionários saírem em protesto contra casos de assédio sexual no Google, a empresa disse, nesta quinta-feira (8), que se comprometerá a construir um local de trabalho mais seguro. As novas políticas contra assédio sexual foram apresentadas por e-mail, encaminhado aos funcionários, pelo presidente executivo do Google, Sundar Pichai.

No documento, Pichai disse que estava claro que a empresa precisa fazer modificações para proteger seus funcionários, muitas delas atendendo às demandas dos organizadores das paralisações da semana passada.

“Forneceremos mais transparência nas investigações de assédio sexual”, escreveu Pichai no e-mail. “Além disso, vamos proporcionar melhor atendimento e apoio às pessoas que passarem por esse tipo de situação. E vamos dobrar nosso compromisso de ser um local de trabalho representativo, justo e respeitoso”, acrescentou.

OUÇA:Comentário de Guilherme Felitti sobre os protestos de funcionários do Google

A avaliação feita pelo #MeToo expôs o Vale do Silício, revelando padrões de assédio sob uma máscara de progresso. Agora, o Google, uma das empresas mais poderosas e conhecidas do mundo, pode se tornar um modelo de como consertar o que está quebrado na cultura de tecnologia — se cumprir suas promessas.

“Nós somos observados por muitas empresas ao redor do mundo”, disse Tanuja Gupta, uma das organizadoras da greve em Nova York na semana passada. “Sempre fomos uma empresa de vanguarda, por isso, se não liderarmos o caminho, ninguém mais o fará.”

Quando trabalhadores de 50 escritórios do Google em todo o mundo abandonaram o trabalho na quinta-feira passada (1.º), eles disseram que estavam protestando contra uma “cultura de cumplicidade e apoio aos agressores”.

Os protestos ocorreram após o jornal The New York Times publicar uma reportagem sobre casos de assédio relatados por funcionárias e ex-funcionárias do Google envolvendo executivos do alto escalão da empresa. O texto também revelou que a companhia protegeu três executivos acusados de assédio sexual. Para um deles, inclusive, a empresa teria pago US$ 90 milhões, na rescisão, segundo a reportagem.

Entre as grandes vitórias dos funcionários está a mudança do regime de arbitragem, que passa a ser opcional para casos de assédio sexual. Os organizadores do protesto acreditavam que a política de arbitragem forçada por alegações de má conduta, que existia na empresa, impedia que funcionários levassem os casos aos tribunais, o que suprimia as histórias das vítimas.

LEIA TAMBÉM:Como um casal juntou R$ 1 milhão para viajar pelo mundo em um veleiro

O Google também se comprometeu a promover treinamento anual obrigatório sobre assédio sexual (o treinamento anterior era uma vez a cada dois anos) e a criação de uma “equipe especializada de assessores” para investigar questões de assédio ou discriminação. A companhia afirmou ainda que irá tomar medidas para desencorajar o uso excessivo de álcool em eventos da empresa, pela relação que o consumo exagerado da bebida tem com casos de assédio sexual.

Meredith Whitaker, outra organizadora das greves e co-diretora do AI Now Institute, aplaudiu seus colegas com um tweet. “A ação coletiva funciona”, twittou Whittaker. “E vai continuar funcionando.”

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