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Contas públicas

Arrecadação mantém queda pelo 7.º mês consecutivo

Brasília - Pelo sétimo mês seguido, a arrecadação tributária federal caiu em maio. O recolhimento de impostos reflete o desempenho econômico do país, o que indica que a economia não apresentou recuperação no período. Na comparação com os primeiros cinco meses do ano passado, a arrecadação neste ano foi R$ 20 bilhões menor.

Em maio, o recolhimento de tributos federais somou R$ 49,8 bilhões, com queda de 6% em comparação com o mesmo mês de 2008. Também foi registrada queda de 14% em relação a abril. Mas no mês passado o recolhimento do IR das pessoas físicas foi maior que a média do ano por causa da primeira cota paga após o ajuste anual.

Embora o ritmo de queda da arrecadação esteja menor, a receita acumulada no ano foi de R$ 269,6 bilhões, 6,92% menos do que de janeiro a maio do ano passado, já descontada a inflação. Esse é o pior desempenho desde 2003 nos cinco primeiros meses do ano, segundo dados divulgados ontem pela Receita Federal.

O governo admite que haverá queda real da arrecadação neste ano – ou seja, quando descontada a inflação, a receita será menor do que a de 2008.

Segundo o coordenador-geral de estudos, previsão e análise da Receita, Marcelo Lettieri, a meta da receita é arrecadar R$ 485 bilhões em 2009, excluídas as receitas previdenciárias. Essa meta leva em consideração o crescimento econômico de 1% neste ano.

No ano passado foram arrecadados R$ 479,5 bilhões. Mesmo que a economia cresça, haverá queda real de arrecadação.

A Receita argumenta que o recolhimento menor de tributos não é só culpa do fraco desempenho econômico, mas também das desonerações tributárias concedidas neste ano. O discurso oficial é que o governo não está mais preocupado em arrecadar, mas sim em impulsionar a retomada do crescimento, abrindo mão de receita.

"Essa queda de arrecadação é administrada, controlada. Reflete uma crise jamais vista. Mas a arrecadação não é mais a prioridade. A prioridade é a manutenção do emprego e da renda", disse Lettieri. Pelos cálculos apresentados, as desonerações de impostos corresponderam a uma renúncia fiscal de R$ 11 bilhões de janeiro a maio.

Para Francisco Lopreato, especialista em contas públicas e professor da Unicamp, a arrecadação cairia no período mesmo sem as desonerações. "A tendência é estar melhor no fim do ano do que agora, mas a arrecadação vai cair em 2009."

Ele ponderou que, do ponto de vista de administração pública, não há riscos. Lopreato acredita que o governo vai conseguir cumprir o superávit primário estipulado para este ano, de 2,5% do PIB.

Os tributos que tiveram as maiores quedas reais de arrecadação de janeiro a maio foram o IPI de automóveis (81,8%) e a Cide (76,5%). Ambos tiveram redução das alíquotas.

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