• Carregando...
Para o advogado Jonathan Blackman (centro), a Argentina “está comprometida com o diálogo” | Carlo Allegri/Reuter
Para o advogado Jonathan Blackman (centro), a Argentina “está comprometida com o diálogo”| Foto: Carlo Allegri/Reuter

Troca

A Argentina pediu ontem a saída do mediador designado pelo juiz Thomas Griesa para conduzir as negociações entre o país e os fundos dos Estados Unidos, o advogado Thomas Pollack. O pedido, porém, foi negado na mesma audiência. A Argentina não gostou da palavra "default" que Pollack usou no comunicado à imprensa para informar o resultado das reuniões com os credores. Já Griesa não concordou com o pedido da Argentina e classificou Pollack de "imparcial".

A Associação Internacional de Swaps e Derivativos (Isda, na sigla em inglês) decidiu ontem que a Argentina realmente deu calote na parcela de sua dívida que venceu na quarta-feira. Com isso, os credores podem receber pagamentos estimados em US$ 1 bilhão em credit default swaps (CDS) – instrumento financeiro usado no mercado internacional que funciona como uma espécie de seguro contra calotes.

A decisão da Isda foi tomada por unanimidade pelos 15 membros de seu comitê executivo – entre eles um representante do fundo Elliot Management, um dos credores da Argentina que não concordaram com a reestruturação da dívida e que ganharam na Justiça americana o direito a receber o valor integral dos títulos.

A deliberação da associação foi motivada por um pedido do banco suíço UBS. A Argentina vem insistindo que não está em default, já que depositou o dinheiro para o pagamento da parcela da dívida em bancos americanos. O dinheiro, no entanto, era destinado apenas aos credores que aceitaram as reestruturações ocorridas em 2005 e 2010. Mas a Justiça americana bloqueou os recursos, com o argumento de que os detentores de títulos que não participaram do acordo também teriam de receber seu pagamento, estimado em US$ 1,3 bilhão.

O governo argentino não concordou com a decisão e disse que pode levar o caso à Corte Internacional de Haia e à Organização das Nações Unidas. Com o imbróglio, o juiz Thomas Griesa, da Corte de Nova York, responsável pela decisão, virou o "inimigo número um" do país.

E, ontem, Griesa deu mais motivos para a raiva argentina. Em uma nova audiência realizada nos Estados Unidos, o juiz pediu que o país pare de falar "meias verdades" e cumpra com suas obrigações. "A Argentina vem dando declarações altamente enganosas e isso precisa parar. Meia verdade não é o mesmo que verdade", afirmou.

Diálogo

Griesa citou duas obrigações que a Argentina tem de cumprir: o pagamento dos credores que aderiram à reestruturação da dívida e o pagamento dos fundos que não aderiram, chamados de "holdouts". Para o juiz, a única coisa que vai resolver essa situação é o diálogo entre as partes.

Robert Cohen, advogado que representa o fundo NML Capital, disse que os fundos seguem dispostos a negociar e têm a esperança de um acordo. Já o advogado que representa a Argentina, Jonathan Blackman, disse que o país "está comprometido com o diálogo", mas que, nos termos atuais, um acordo é difícil.

Blackman citou a cláusula Rufo, que impede que o país ofereça aos holdouts condições melhores que as oferecidas aos fundos que aderiram à reestruturação. O advogado disse ainda que nesta semana dois novos fundos entraram com processo contra a Argentina e que a dívida do país com os holdouts poderia passar dos atuais US$ 1,3 bilhão para US$ 20 bilhões.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]