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Mídias sociais

Autêntico e inovador, Snapchat não é só uma brincadeira de adolescentes

Rede mais usada por jovens precisa ser levada a sério por suas qualidades

    • The New York Times News
    • 16/12/2016 13:54
     | DOUG CHAYKA/NYT
    | Foto: DOUG CHAYKA/NYT

    A Snap Inc., empresa responsável pelo Snapchat, o aplicativo popular de foto-mensagens e narrativas, está tendo um fim de ano produtivo.

    Há algumas semanas, a companhia enviou documentos confidenciais para uma futura oferta de ações, que pode levar seu valor para US$ 30 bilhões, o que se tornaria uma das maiores ofertas públicas iniciais dos últimos anos. Ao mesmo tempo, começou a vender o Spectacles, óculos escuros que podem gravar clipes de vídeo e que se tornaram um dos objetos mais cobiçados da temporada.

    E mesmo assim, até no momento em que gera tantas manchetes, muitas vezes parece que é pouco respeitada.

    Embora o Snapchat tenha ultrapassado o Twitter em termos de usuários diários e se tornado uma das redes sociais mais populares do mundo, ele não atraiu a atenção da mídia que a plataforma de 140 caracteres tem, talvez porque os jornalistas e os candidatos presidenciais não o usem muito. A divisão de notícias do Snapchat se tornou uma fonte de informações popular e inovadora para os jovens, mas raramente é mencionada no acalorado debate sobre como a mídia social afetou a eleição presidencial.

    E, porque o Snapchat é basicamente usado por adolescentes e jovens de vinte e poucos anos – além de parecer deliberadamente feito para frustrar qualquer um com mais de 25 –, ele é geralmente visto como uma frivolidade pelos mais velhos (especialmente leitores de um certo jornal de Nova York que têm meu endereço de e-mail).

    Está tudo errado. Se você secretamente acredita que o Snapchat é frívolo ou que de alguma forma é um modismo, está hora de reavaliar seus conceitos. Na verdade, sob vários aspectos, a Snap calmamente se tornou uma das empresas de tecnologia ao consumidor mais inovadoras e influentes do mundo.

    Localizada em Venice, Los Angeles – fora da bolha do Vale do Silício –, defende ideias radicalmente novas sobre como os seres humanos devem interagir com computadores. Iniciou um modelo de rede social que parece mais íntimo e mais autêntico do que aquele orientado por ideias, como o do Facebook, que agora domina o mundo on-line. O design de software e de hardware da Snap, além de suas estratégias de marketing, é mais ousado do que muita coisa que vemos em gigantes da tecnologia, incluindo a Apple.

    Seu modelo de negócio – dependente de publicidade no estilo da TV que (até agora) oferece menos opções orientadas por dados do que as grandes empresas da web como o Google – parece ser totalmente novo. E, talvez mais importante, seu modelo de entretenimento e jornalismo valoriza a edição e a curadoria humana em detrimento de histórias selecionadas por algoritmos de personalização – e, portanto, representa um afastamento dos feeds filtrados e virais que dominam grande parte do resto do ambiente de notícias on-line.

    O Snapchat é ainda relativamente pequeno; sua base de 150 milhões de usuário diários é mínima se comparada ao 1,2 bilhão do Facebook, e seu sucesso está longe de ser garantido. A novidade que traz pode às vezes se desviar na direção do bizarro e inescrutável. E não é óbvio que todos os seus avanços sejam positivos. (Por exemplo, não sei se é sempre bom para nosso relacionamento perder o registro de bate-papos com amigos.)

    Porém, não é de admirar que o Facebook e suas subsidiárias pareçam obcecados em imitar o Snapchat. Como uma fonte de ideias que muitos na indústria de tecnologia não haviam considerado antes, o aplicativo não é apenas popular, mas também cada vez mais importante.

    “Independentemente do que aconteça, eles já reformularam a paisagem dos meios de comunicação social. Estão fazendo jogadas arriscadas, tentando repensar o que as pessoas querem on-line em vez de pegar o que já foi feito e adicionar uma nova programação em flash”, disse Joseph B. Bayer, professor de comunicação da Universidade Estadual de Ohio, que estudou o impacto do Snapchat sobre o modo em que as pessoas se comunicam.

    A internet efêmera do Snapchat – que desde então tem sido imitada por muitas outras empresas, incluindo, mais recentemente, o Instagram – não lançou apenas uma ideia nova para a privacidade on-line. Ela também alterou o que era considerada uma lei sagrada da interação on-line: o potencial de se tornar viral.

    Todos os meios on-line que já foram populares– desde o e-mail até a web e as redes sociais como o Facebook – eram permeados por coisas que são passadas de um usuário para outro. Esse não é o caso do Snapchat. Embora tenha introduzido alguns meios limitados de encaminhamento de snaps, a vida curta de cada um deles significa que não há nenhum meio óbvio para que qualquer conteúdo único se torne um hit viral dentro do aplicativo. Não existem “desafios do balde de água gelada” ou a mãe do Chewbacca ou adolescentes macedônios divulgando notícias falsas no Snapchat.

    Histórias pessoais

    O que há é autenticidade. As maiores estrelas – até mesmo Kylie Jenner – fazem sucesso oferecendo acesso à sua vida real. Como resultado, muito do que vemos no Snapchat não se parece tanto com atuação, como acontece em outras redes. As pessoas não estão em busca de curtidas e compartilhamentos. Para o bem e para o mal, todos tentam ser reais.

    A diminuição de algoritmos de personalização e do potencial de ser viral também tem sua importância no modo em que o Snapchat trata as notícias. O formato principal do Snapchat é chamado de História, uma apresentação de clipes de vídeo do usuário que são tocados em ordem cronológica. Essa também é uma inovação; antes do aplicativo, grande parte do conteúdo on-line, desde blogs até tuítes, era consumido em ordem cronológica reversa, do mais recente para o mais antigo. As histórias do Snapchat, que hoje são amplamente copiadas, marcou o início de uma ordem mais natural – começar do início.

    Há alguns anos, usuários do Snapchat notaram que as histórias eram o veículo ideal para transmitir notícias. Elas poderiam ser feitas com colaboração: se várias pessoas estivessem em um concerto, um evento esportivo ou em algum lugar em que notícias de última hora ocorressem, várias provavelmente estariam postando os acontecimentos. Se o Snapchat lhes oferecesse uma maneira de enviar seus clipes, poderia identificar os melhores e adicioná-los a uma compilação de narrativas do evento.

    Enquanto o Vale do Silício tenta diminuir a edição e a curadoria feitas por seres humanos, cada vez mais dependendo de computadores para identificar e divulgar notícias, o Snapchat começou a contratar produtores e repórteres para montar clipes mais profundos sobre determinado tópico.

    A empresa chama isso de Live Stories (Histórias ao Vivo), e elas são transformadoras, ao contrário de qualquer outra apresentação de notícias que possa ser encontrada on-line. Todos os dias, o Snapchat oferece uma ou várias histórias sobre acontecimentos mundiais grandes e pequenos, incluindo jogos de futebol, shows e notícias sérias.

    Por exemplo, em meados deste ano, enquanto o resto dos meios de comunicação era engolido pelo furacão Trump, a equipe de notícias do Snapchat passou dias seguindo as enchentes devastadoras na Louisiana. Esse fato por si só foi incomum, mas a apresentação do Snapchat também foi inovadora: em vez de mostrar tomadas aéreas ou repórteres falando, coisas que são convencionais nas notícias de TV, o aplicativo ofereceu vídeos de dentro da casa das pessoas, de abrigos, de escolas. Misturou a história de uma catástrofe natural e a resposta do governo a ela com microtragédias de perdas pessoais e até momentos mais leves de humor e tédio.

    Quando houve um ataque a faca recentemente na Universidade Estadual de Ohio, a notícia do Snapchat foi igualmente notável. Entre cenas de autoridades e de alunos descrevendo o ocorrido, havia clipes capturados pelos alunos em salas de aula, expressando o medo e o sentimento de perplexidade sobre o que estava acontecendo. Não era apenas uma história informativa, mas uma que engendrou um senso de empatia em relação a quem estava lá, coisa rara em noticiários.

    O Snapchat afirmou que se vê mais como uma empresa de câmera do que uma rede social. Isso soa como exagero de marketing (afinal de contas, só começou agora a fazer sua primeira câmera real, a Spectacles), mas acho que sua determinação em se diferenciar do resto da indústria de tecnologia é algo importante a ser notado.

    A Snap pode se libertar das normas aceitas no Vale do Silício porque não se vê como apenas mais uma empresa de tecnologia da área. Está na hora de começarmos a vê-la assim também.

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