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Para entender

Bancos iniciam devolução de bilhões retidos em sites de apostas proibidos

Setor de apostas já critica cronograma estreito de Lula no Supremo e pede transição. (Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)

Nesta sexta-feira (9), as instituições financeiras dão início à devolução de aproximadamente R$ 1,3 bilhão pertencentes a apostadores que não resgataram seus saldos antes do bloqueio das bets no Brasil. A medida cumpre o cronograma estabelecido pelo governo federal após a decisão de tornar os sites de apostas esportivas e jogos on-line indisponíveis desde o início desta semana.

Como funcionará o processo de devolução dos valores para os apostadores?

Os bancos e instituições financeiras têm até a próxima quarta-feira (14) para efetuar a devolução dos saldos aos clientes que deixaram dinheiro parado nas plataformas. Segundo dados oficiais, cerca de 26,5 milhões de pessoas estão nessa situação. Caso ocorram dificuldades operacionais que impeçam o crédito direto por meio dos bancos tradicionais, a Caixa Econômica Federal entrará no circuito a partir do dia 14 para intermediar esses pagamentos remanescentes. É importante destacar que uma grande fatia desse montante, cerca de R$ 15,5 milhões, pertence a contas com saldos muito pequenos, inferiores a um real.

Qual é o principal argumento do setor de apostas contra o cronograma do governo?

Entidades que representam o mercado de apostas levaram o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Luiz Fux. O setor critica o que chama de cronograma estreito, argumentando que a proibição causou uma ruptura abrupta com empresas que já estavam em processo de regulamentação. Os pedidos judiciais focam na necessidade de uma regra de transição mais suave, alegando que a medida provisória assinada pelo presidente Lula ignorou o planejamento das empresas. O setor busca suspender os efeitos da proibição imediata, defendendo que o Estado não ofereceu tempo hábil para o encerramento das atividades.

De que maneira o fim das bets impacta o futebol brasileiro e seus clubes?

O impacto financeiro no esporte é bilionário, já que as casas de apostas tornaram-se as maiores patrocinadoras do país. O Flamengo, por exemplo, ingressou no STF como amigo da corte, estimando um prejuízo de R$ 430 milhões em contratos. Além dos patrocínios em uniformes, o setor domina os 'naming rights' — que é quando uma empresa paga para dar nome a um estádio ou torneio. Exemplos disso são o Brasileirão Betano e a Copa Betano do Brasil, além de arenas como a Fonte Nova e os Aflitos. Estima-se que apenas os clubes da Série A deixem de arrecadar mais de R$ 1 bilhão anuais com a saída dessas marcas do mercado.

Como as apostas esportivas e os jogos on-line surgiram legalmente no Brasil?

A origem jurídica das apostas no país remonta a 2018, com uma lei sancionada pelo então presidente Michel Temer. A norma previa que o governo deveria regulamentar o setor em até quatro anos, mas o prazo venceu sem que a regra final fosse publicada. Recentemente, em 2023, o Congresso acelerou o marco legal. Durante esse processo na Câmara, o conceito de aposta foi ampliado para incluir jogos on-line, como o 'Tigrinho', que funcionam através de geradores aleatórios de números e símbolos. Apesar de tentativas no Senado de limitar as apostas apenas a eventos esportivos reais, a versão que permitia cassinos virtuais prevaleceu e foi sancionada.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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