A curto e médio prazo, são muito pequenas as chances de o Paraná diversificar sua pauta de exportações e passar a oferecer produtos com maior valor agregado para a China. O país asiático facilita a entrada de itens básicos, que sirvam de matéria-prima, e taxa as importações de produtos mais elaborados. Este é o caso da soja paranaense. De um total exportado pelo Paraná de US$ 403 milhões, US$ 265 milhões são de soja. A exportação de óleo bruto de soja foi de apenas US$ 50,9 milhões, e a de farelo, nula.

"As negociações com a China para a venda de produtos mais elaborados não avançam porque os chineses não têm interesse nisso, eles querem comprar matéria-prima", diz o superintendente-adjunto da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Nelson Costa. Segundo ele, os itens mais elaborados da pauta do agronegócio são taxados. Isso favorece a indústria chinesa, que cria empregos para manufaturar os itens básicos.

Outra dificuldade, segundo Costa, é a falta de estrutura comercial das empresas brasileiras em território chinês. Na Europa, por exemplo, as indústrias brasileiras contam com representantes, o que permite atendimento melhor ao comprador. "A maior parte da carga chega em Roterdã (Holanda) e pode ser armazenada e depois distribuída para outros países. Na China ainda não há isso, mas as empresas estão estudando uma solução." Ele conta que os dirigentes da Ocepar devem ir à China no ano que vem. "Está nos nossos planos atingir da melhor forma o mercado chinês, mas isso é um pouco difícil, leva um pouco de tempo."

Para o professor Joaquim de Almeida Brasileiro, da Unifae, há solução para diversificar a pauta de exportações do Paraná para a China, mas ela não vai ocorrer no curto prazo. "As negociações com a China não são simples, são necessárias várias missões oficiais e encontros", avalia. Segundo ele, os negociadores precisam chegar a um consenso. "Nós queremos exportar e eles também, mas acredito que o Paraná pode pelo menos tentar minimizar a diferença da balança comercial", observa. (RF)

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