Ponta Grossa A assessoria jurídica do grupo Batávia passou o dia ontem tentando reverter a decisão judicial que permitiu à Parmalat do Brasil retirar boa parte dos equipamentos usados para a produção de iogurte e outros derivados de leite da fábrica em Carambeí. Desde a concordata da empresa italiana, decretada em janeiro do ano passado, o maquinário continuava sendo utilizado pela sócia paranaense por força de uma outra decisão judicial. O máximo que o advogado Marcelo Bertoldi conseguiu, porém, foi mais prazo para evitar que parte de produção da Batávia fosse interrompida.
A devolução foi determinada pelo juiz Alexandre Alves Lazzarini, da 1.ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Mas a Justiça da Comarca de Castro, atendendo a pedido da Batávia, sentenciou que a retirada deveria começar pelas máquinas que não estão em funcionamento. Ainda de acordo com o advogado, esse processo é lento e deve dar tempo à empresa paranaense para que faça os ajustes necessários para não interromper a fabricação de iogurtes, leites fermentados e sobremesas. "Não existe risco de a empresa parar de funcionar", assegura Bertoldi. Ele também avisa que irá recorrer da decisão da Justiça paulista.
Parte do investimento feito pela Parmalat para a formação da sociedade com a Batávia foi feito por meio do repasse de maquinário para a fábrica. Desde junho de 2004, a Batávia ganhou o direito de continuar usando a marca Parmalat nos produtos lácteos pelo prazo de dez anos e de manter os equipamentos que foram cedidos em comodato. A Parmalat detém 51% das ações da Batávia, mas está afastada da direção da sociedade. Com o anúncio da recuperação fiscal, começou uma batalha jurídica entre as sócias. Uma perícia deve ser designada para avaliar qual o montante de indenização será paga a Parmalat pelo capital acionário.
De acordo com comunicado enviado pela assessoria de imprensa da Parmalat, a empresa tenta uma solução amigável há meses para encerrar a sociedade. Com a retomada do maquinário, a Parmalat pretende voltar ao mercado de refrigerados.
A empresa conhecida hoje como Batávia S. A. surgiu em 1954 quando imigrantes holandeses de Castro e Carambeí fundaram a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda. (CCLPL). A sociedade foi firmada entre quatro cooperativas e o grupo italiano em 1998. Na época, a Parmalat comprou as ações por R$ 140 milhões. Com faturamento anual superior a R$ 500 milhões, a Batávia considera-se líder no mercado de refrigerados no Sul do Brasil, com 20% de participação, contando ainda com 1,7 mil funcionários.



