Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Câmbio

BC decide: evitar contágio ou conter a inflação?

Rio de Janeiro - A maxidesvalorização do real nas últimas semanas, que atingiu 32,8% desde que atingiu a marca de R$ 1,56, no início de agosto, aumenta o risco de que, em 2009, o cenário nacional combine forte desaceleração econômica com alta da inflação. No centro do furacão, trabalhando para minimizar os danos, estará o Banco Central, em um dos seus momentos mais difíceis desde a introdução do sistema de metas de inflação, em 1999.

Nas próximas semanas e meses, o BC terá de decidir se relaxa a política de juros – para evitar o contágio no Brasil da crise bancária e atenuar a desaceleração da economia – ou se prossegue no aperto, para se prevenir contra a inflação. De um lado, em meio aos riscos de uma devastadora recessão mundial e aos problemas de liquidez bancária no Brasil, tudo indica que é hora de cortar a taxa básica de juros (Selic). Do outro, o impulso inflacionário ainda pega uma economia muito aquecida e pode se transmitir aos preços, jogando a inflação bem para cima da meta anual de 4,5% – mesmo levando em conta o alívio provocado pela desaceleração e da queda internacional do preço das commodities.

A maior parte do mercado financeiro está pendendo para a visão de que a atual crise vai interromper ou atenuar o ciclo de alta de juros. Para Roberto Padovani, estrategista do WestLB, "o fato de haver uma desaceleração em curso, commodities em queda e uma boa chance de que o dólar recue dos níveis atuais compensa o efeito inflacionário do câmbio". Mas essa não é uma opinião unânime. Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander e ex-diretor do BC, acha que o aperto de liquidez e a piora dos termos de troca no comércio internacional brasileiro vão condicionar um real mais desvalorizado, com impactos nos preços. Ele prevê que o ciclo de alta da Selic se estenderá até o primeiro trimestre de 2009 e levará a taxa básica até 15,75% (atualmente, ela está em 13,75%).

Exagero

O curioso, na atual situação, é que nem mesmo os economistas que criticaram fortemente o processo de valorização do real estão contentes com a recente sangria do valor da moeda brasileira. "Está havendo um ‘over-shooting’ [exagero], da mesma forma que houve um overshooting em sentido contrário", diz Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Para ele, uma desvalorização descontrolada e causada por uma situação de crise, como a ocorrida nos últimos dias, é negativa por causa dos impactos inflacionários e pelo efeito desestabilizador na economia.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.