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Perspectivas

Energia, saneamento e telecom sofrem menos

Setores com fluxo estável de receitas tendem a ser menos prejudicados se a economia perder força. Fabricantes de alimentos também são vistos como pouco vulneráveis

Setores ligados à infra-estrutura, como o energético, sofrem menos com volatilidade | Rodolfo Büher/Gazeta do Povo
Setores ligados à infra-estrutura, como o energético, sofrem menos com volatilidade (Foto: Rodolfo Büher/Gazeta do Povo)

Relatórios divulgados por quatro grandes bancos e corretoras na semana passada indicaram que os setores de energia elétrica e saneamento podem representar um "porto seguro" em meio à crise financeira que ameaça contaminar a economia brasileira. Na avaliação de Unibanco, Coinvalores, Ativa e Citigroup, essas companhias, em geral, têm baixo nível de endividamento, trabalham com contratos de longo prazo, têm fluxo de receitas bastante estável e, além disso, estão entre as prioridades do governo federal – por isso, seus empreendimentos terão apoio garantido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"O setor de infra-estrutura envolve grandes obras, pensadas a longo prazo, e sofre menos influências de oscilações bruscas como as que temos visto", explica Alcides Leite, professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios. Por conta da estabilidade de suas receitas, o setor de telecomunicações, especialmente telefonia fixa, também vem sendo citado como menos vulnerável às turbulências.

Mariam Dayoub, estrategista-chefe da Arsenal Investimentos, acrescenta que companhias focadas no mercado interno devem sofrer os menores arranhões. "Nesse rol se enquadram vários prestadores de serviços, mas também os fabricantes de alimentos. A demanda doméstica por alimentos continua bastante forte, e esses produtos serão os últimos a serem cortados por uma família em dificuldade", diz. A avaliação de boa parte dos analistas de mercado vai pelo mesmo caminho – a demanda por comida e bebida é pouco elástica, tanto na bonança quanto na carestia. E, ao contrário de bens duráveis (carros, eletrodomésticos e outros), os bens não-duráveis costumam ser comprados à vista – ou seja, problemas de crédito dificilmente os afetam. "Os gastos com bens duráveis são os mais fáceis de serem protelados em momentos críticos. O mesmo vale para investimentos em imóveis, máquinas, expansão de fábricas", diz Luciano Nakabashi, professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Para o economista Antônio Amado, sócio-diretor da Profins Business School, de São Paulo, mesmo os exportadores de alimentos podem atravessar a crise sem maiores traumas. "Ainda que possa haver uma desaceleração na demanda chinesa, não deve haver uma queda tão grande. Os chineses não deixarão de se alimentar."

Nesse aspecto, Nakabashi, da UFPR, é menos otimista. "No curto prazo, importadores e exportadores são os grandes prejudicados pela instabilidade cambial e o corte de linhas de crédito internacionais. Os setores que mais ganharam com o crescimento da economia mundial são os mais afetados pelo efeito inverso. Nesse cenário, o setor sucroalcooleiro deve perder ainda mais que seus pares, pois tem alto endividamento em um cenário onde o crédito estará mais escasso e a demanda mundial, mais baixa."

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