Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Crise do Banco Master

BC decreta liquidação do Will Bank, ligado ao Banco Master

Banco Master
Sede do Banco Master, em São Paulo, liquidado em novembro de 2025. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Ouça este conteúdo

O Banco Central decretou, nesta quarta (21), a liquidação do Will Bank, um banco digital ligado ao Banco Master e que foi arrastado para a crise da instituição financeira após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, no final do ano passado, pela Polícia Federal.

O Will Bank estava sob regime de administração especial temporária desde novembro, quando o Master foi liquidado por suspeita de fraude na venda de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões e, mais recentemente, investigado por um possível envolvimento em outros crimes financeiros.

"Tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial", disse o Banco Central em nota (veja na íntegra mais abaixo).

Em nota à Gazeta do Povo, o Banco Master informou que o Will Bank tinha uma "gestão própria" e operou sob controle do conglomerado "regularmente" até o dia 17 de novembro, quando passou à gestão do RAET (regime de administração especial temporária) pelo Banco Central (veja na íntegra mais abaixo). O Will Bank ainda não se pronunciou.

VEJA TAMBÉM:

Ainda segundo o Banco Central, a liquidação do Will Bank foi necessária após a administração especial não ter se mostrado viável, inclusive descumprindo o arranjo de pagamentos que tinha com a Mastercard.

"Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo", pontuou a autoridade monetária.

Criado em 2017 já como um banco digital, o Will Bank foi comprado pelo Master em 2024. Na ocasião, segundo informou ao mercado, a instituição tinha mais de 9 milhões de clientes.

VEJA TAMBÉM:

Dados do Banco Central apontam que o Will Bank tinha R$ 14,1 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e um patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões. O banco possui, ainda, R$ 6,5 bilhões em aplicações a prazo que, a depender das apurações, pode ter de recorrer ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A instituição detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN), de acordo com os últimos dados disponíveis do terceiro trimestre do ano passado.

A instituição havia sido preservada pela autoridade monetária durante a liquidação do Master, mas colocado sob um regime especial de administração, que acabou levado ao novo ato do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.

Esta é a segunda instituição financeira liquidada pelo Banco Central apenas neste ano. Na semana passada, a Reag Investimentos também passou para este regime após suspeitas de operações fraudulentas com o Banco Master, e meses depois de ter entrado na mira da Polícia Federal por uma possível ligação com o PCC, descoberta durante a Operação Carbono Oculto.

A Reag Investimentos, segundo as investigações, operava fundos de investimentos com dinheiro do tráfico de drogas da facção criminosa paulista.

Além da Reag, o Banco Central decretou a liquidação judicial da Advanced Corretora de Câmbio Ltda., com sede em São Paulo (SP), mas sem apontar ligação entre as duas empresas. As operações da instituição representaram 0,081% do volume financeiro e 0,14% da quantidade de operações de câmbio no país em 2025.

O que dizem os citados

Veja abaixo a nota completa do Banco Central sobre a liquidação do Will Bank:

O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025.

O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A.

O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.

Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial.

O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada.

Veja abaixo o que disse o Banco Master sobre a liquidação decretada pelo Banco Central:

A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que a instituição mencionada possuía administração apartada, com gestão própria. O Sr. Vorcaro segue colaborando plenamente com as autoridades competentes, permanecendo à disposição para esclarecimentos. Esclarece ainda que, até 17 de novembro, a instituição operava regularmente sob o controle do conglomerado Master, e que, a partir de 18 de novembro, com a decretação da liquidação extrajudicial, a gestão do conglomerado passou a ser exercida em RAET pelo Banco Central.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.