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BC mantém taxa de juros em 14,25%

    • Estadão Conteúdo Web
    • 21/10/2015 20:18
    Preisdente do Banco Central, Alexandre Tombini | Marcos Oliveira/Agência Senado
    Preisdente do Banco Central, Alexandre Tombini| Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

    No dia em que se soube que a inflação acumulada em 12 meses superou a marca de 10% em algumas regiões do País, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica Selic estável em 14,25% ao ano. Também sinalizou, no comunicado, que o IPCA não irá convergir para a meta, que tem como teto 6,5%, nem em 2016. Esta é a segunda vez consecutiva que o colegiado, por unanimidade, decide congelar os juros. O mercado financeiro também apostava em peso que não haveria mudanças.

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    Para a diretoria do BC, o foco na meta não está mais em 2016, como pregava até então. Conforme antecipou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a diretoria já discutia internamente a possibilidade de rever esse prazo de atuação. Em setembro, o recado foi o de que a manutenção desse patamar por período “suficientemente prolongado” é necessária para a “convergência da inflação para a meta no final de 2016”. Agora, o comunicado do Copom traz que a manutenção por tempo prolongado é necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária. Esse período, como é sabido, é de dois anos a frente da data atual.

    Além disso, o comitê ressaltou que a política monetária se manterá “vigilante” para a “consecução desse objetivo”. Mais detalhes sobre o que levou o Copom a definir pela estabilidade da Selic serão conhecidos na quinta-feira da semana que vem, quando o Banco Central divulgará a ata da reunião. Antes disso, porém, o mercado financeiro já mostrará sua reação por meio das previsões para inflação, juros e outras variáveis econômicas no Relatório de Mercado Focus.

    Entre as duas reuniões, o cenário econômico e político se deteriorou ainda mais e a questão fiscal continua como a grande algoz da ineficácia da política monetária. Um dos pontos que mais mostraram abalo foi o das expectativas para a inflação, que estão cada vez mais distantes do centro da meta de 4,5% não apenas para o ano que vem como também para os seguintes - as deste ano já encostam em 10%.

    A elite dos cinco economistas que mais conseguem antecipar o resultado da inflação (Top 5) já prevê estouro da meta também no ano que vem. A tarefa do BC é não deixar que o IPCA ultrapasse a marca de 6,5%, mas esse grupo já calcula o índice em 6,72% em 2016. Isso é mais do que um “desvio significativo” que a diretoria escreveu nas últimas atas como praticamente uma senha de que poderá elevar a Selic. O BC nunca explicitou, no entanto, quanto um desvio tem de subir para tornar-se significativo.

    Mesmo com a disparada dos preços, a decisão do comitê também levou em conta a recessão econômica, que não permite alta dos juros. Até por conta disso, as estimativas do mercado sobre a possibilidade de corte têm sido adiada semana a semana e também passam por redução de magnitude. O mais recente levantamento revela consenso sobre queda em julho do ano que vem, para 14,00% ao ano.

    Analistas já não acreditam mais que o BC conseguirá cumprir a meta também no ano que vem. Até meados do ano, as instituições financeiras ainda consideravam essa uma possibilidade, mas com a mudança orçamentária para 2016 e outras notícias ruins das contas públicas jogaram por terra essa hipótese. Internamente, a instituição já calcula os impactos positivos e negativos de estender mais uma vez seu foco de atuação, para 2017, ainda que negue oficialmente.

    O efeito do câmbio sobre os preços é outra variável que não pode ser colocada de lado nos cálculos da autoridade monetária. A diminuição da nota soberana brasileira pela Fitch foi mais um vetor negativo para o ambiente macroeconômico, ainda que o Brasil não tenha perdido o selo de bom pagador por essa agência de classificação. A perspectiva, porém, continuou negativa, como temia o BC. Do lado externo, pesou na decisão a indefinição nos Estados Unidos sobre os juros, que ainda podem aumentar a qualquer momento.

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