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Aviação

BRA suspende os vôos e demite 1,1 mil

Companhia, com 4,6% de participação no mercado doméstico, espera aporte de investidores para voltar a voar

A companhia aérea BRA vai suspender temporariamente todos os seus vôos domésticos e internacionais a partir das 12 horas de hoje. A empresa tinha passagens vendidas até dezembro deste ano, mas ainda não há confirmação sobre o número de bilhetes emitidos. Em nota, a companhia orienta seus passageiros a não se dirigirem aos aeroportos ou lojas antes de entrarem em contato com o telefone de atendimento da empresa (11) 3583-0122. Os passageiros com passagens compradas receberam a promessa de serem transportados por outras empresas aéreas ou reembolsados, mas muitos temem ficar no prejuízo.

O professor Wellington Santos tem passagem de ida do Rio de Janeiro para Porto Alegre para 25 de dezembro. Ontem tentou entrar em contato com a empresa e não conseguiu. "Claro que o telefone só dá ocupado, é uma linha pro Brasil todo!" O professor pagou R$ 99 pela passagem em três vezes e diz que pretende brigar para ser realocado em outra companhia.

No Aeroporto Afonso Pena, de São José dos Pinhais, a empresa não operava vôos regulares desde o início de outubro, apenas vôos charters nos fins de semana, que agora serão interrompidos. Durante agosto e setembro, a BRA operou em parceria com a Ocean Air. Os vôos deixaram de ser compartilhados no dia 1.º de outubro. Mas, ontem, o vôo 6385 da Ocean Air, que faz a rota Curitiba-Campo Grande, levava passageiros que deveriam trocar para uma aeronave BRA com destino a Porto Velho (RO). "Eles vão chegar e não vai ter quem faça o check-in", disse, preocupado, um funcionário da Ocean Air. Em Foz do Iguaçu, onde a BRA só operou devido à parceria com a companhia, não há passagens vendidas a serem reembolsadas, porque a procura pelos trechos para o Rio e Guarulhos era pequena.

Crise

A BRA demitiu todos os 1,1 mil funcionários. A empresa operava 35 vôos domésticos por semana e 55 nos finais de semana para 26 destinos nacionais. Além disso, mais três vôos semanais para Madrid, cinco para Lisboa e dois para Milão. De janeiro a setembro deste ano, a companhia atendeu a 2 milhões de passageiros, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que representa uma média mensal de 220 mil passageiros.

Segundo dados da Anac de setembro, a empresa tinha 4,6% do mercado doméstico, à frente da Ocean Air, que estava com 2,61%.

Fontes do setor informam que a suspensão da operação da BRA vai durar até a companhia conseguir um novo aporte de capital de seus investidores, reunidos no Brazil Air Partners. Entre alguns dos integrantes desse fundo, estão a Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e os bancos americanos Goldman Sachs e Bank of America.

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